Na internet todo mundo mete o dedo na ferida, ou no nariz do outro. Tanto faz se sobre política, economia ou comportamento. O importante é cutucar, informar, ter opinião sobre tudo, seja fazendo graça ou falando sério. Por isso estamos aqui para pensar, falar das injustiças contra minorias e países, e dar nosso palpite sobre a fábula do enfraquecimento moral desse país, suas mazelas e problemas, pois não queremos carregar a maldita herança que estão querendo nos deixar.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
A FARSA HISTÓRICA
MERVAL PEREIRA
"A foto que incomodou Luiza Erundina e chocou o país, do ex-presidente Lula ao lado de Paulo Maluf para fechar um acordo político de apoio ao candidato petista à Prefeitura paulistana (o nome dele pouco importa a essa altura) é simbólica de um momento muito especial da infalibilidade política de Lula.
Sua obsessão pela vitória em São Paulo é tamanha que ele não está mais evitando riscos de contaminação como o que está assumindo com o malufismo, certo de que tudo pode para manter ou ampliar o seu poder político.
O choque causado por esse movimento radical pouco importará se a vitória vier em outubro. Mas se sobrevier uma derrota, a foto nos jardins da mansão daquele que não pode sair do país por que está na lista dos mais procurados pela Interpol será a marca da decadência política de Lula, que estará então encerrando um largo ciclo político em que foi considerado insuperável na estratégia eleitoral.
Até o momento, as alianças políticas com Maluf eram feitas por baixo dos panos, de maneira envergonhada, como a negociação em que o PSDB paulista fechava um acordo com o PP em busca de seu 1m30s de tempo de propaganda eleitoral.
A própria Erundina disse, candidamente, que o que a incomodara foi o excesso de exposição do acordo partidário.
Maluf, do seu ponto de vista, agiu com a esperteza que sempre o caracterizou, mas com requintes de crueldade.
Ao exigir que Lula fosse à sua casa para selar o acordo, e chamar a imprensa para registrar o momento glorioso para ele e infame para grande parte dos petistas, ele estava se aproveitando da fragilidade momentânea do PT, que tem um candidato desconhecido que precisa ser exposto ao eleitorado para tentar se eleger.
Lula, como se esse fosse o último reduto eleitoral que lhe falta controlar, está fazendo qualquer negócio para viabilizar a candidatura que inventou.
Já se entregara ao PSD do prefeito Gilberto Kassab, provocando um racha no PT talvez tão grande quanto o de agora, e acabou levando uma rasteira que já prenunciava que talvez o rei estivesse nu.
Agora, quem lhe deu a rasteira foi uma dupla irreconciliável, que Lula tentou colocar no mesmo saco sem nem ao menos ter se dado ao trabalho de conversar antes: Luiza Erundina, que um dia foi afastada do PT por ter aceitado um ministério no governo de coalizão nacional de Itamar Franco, agora se afasta do PT malufista.
E Maluf, que vinha minguando como força política, viu a possibilidade de recuperar a importância estratégica em São Paulo no pouco mais de um minuto de televisão que o PP detém por força de lei.
A sucessão de erros políticos que Lula parece vir cometendo nos últimos meses – a escolha de Haddad, o encontro com Gilmar Mendes, a CPI do Cachoeira, o acordo com Maluf – só será superada se acontecer o que hoje parece improvável, uma vitória de Fernando Haddad.
No resto do país, o PT está submetendo os aliados a seus interesses paulistas, fazendo acordos diversos para garantir em São Paulo uma aliança viável.
A foto de Lula confraternizando com Maluf tem mais um aspecto terrível para a biografia do ex-presidente: ela explicita uma maneira de fazer política que não tem barreiras morais e contagiou toda a política partidária, deteriorando o que já era podre.
As alianças políticas entre Lula, José Sarney, Fernando Collor e Maluf colocam no mesmo barco políticos que já estiveram em posições antagônicas fazendo a História do Brasil, e hoje fazem uma farsa histórica.
Em 1989, José Sarney era presidente da República depois de ter enfrentado Paulo Maluf no PDS. Ante uma previsível vitória do grupo de Maluf derrotando o de Mario Andreazza, Sarney rompeu com partido que presidia, ajudou a fundar a Frente Liberal (PFL) e foi vice de chapa de Tancredo.
Na campanha presidencial da sucessão de Sarney, Lula disse o seguinte dos hoje aliados Sarney e Maluf: "A Nova República é pior do que a velha, porque antigamente era o militar que vinha na TV e falava, e hoje o militar não precisa mais falar porque o Sarney fala pelos militares e os militares falam pelo Sarney. Nós sabemos que antigamente se dizia que o Adhemar de Barros era ladrão, que o Maluf era ladrão. Pois bem: Adhemar de Barros e Maluf poderiam ser ladrão (sic), mas eles são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da Nova República, perto dos assaltos que se faz".
Na mesma campanha, Collor não deixou por menos: chamou o então presidente Sarney de "corrupto, incompetente e safado".
Durante a campanha das Diretas Já Lula se referiu assim a Maluf: "O símbolo da pouca-vergonha nacional está dizendo que quer ser presidente da República. Daremos a nossa própria vida para impedir que Paulo Maluf seja presidente".
Maluf e Collor tinham a mesma opinião sobre o PT até recentemente. Em 2005, quando Maluf foi preso e Lula festejou, e recebeu a seguinte resposta: “(..) se ele quiser realmente começar a prender os culpados comece por Brasília. Tenho certeza de que o número de presos dá a volta no quarteirão, e a maioria é do partido dele, do PT".
Já em 2006, em plena campanha presidencial marcada pelo mensalão, Collor disse que foi vítima de um "golpe parlamentar", do qual teriam participado José Genoino e José Dirceu,"enterrados até o pescoço no maior assalto aos cofres públicos já praticado nessa nação".
E garantiu: "Quadrilha quem montou foi ele (Lula)", citando ainda Luiz Gushiken, Antonio Palocci, Paulo Okamotto, Duda Mendonça, Jorge Mattoso e Fábio Luiz Lula da Silva, o filho do presidente.
São muitas histórias e muita História para serem esquecidas simplesmente por que Lula assim decidiu."
Quero mamar nessa teta...
'Desistência é golpe na imagem da candidatura', diz historiador
Lincoln Secco ressalva que militância, que pode ficar desanimada com saída de Erundina, tem cada vez menos espaço
Gabriel Manzano - de O Estado de S. Paulo
A saída de Luiza Erundina (PSB-SP) da chapa petista “é um golpe na candidatura de Fernando Haddad”, afirma o historiador Lincoln Secco, autor de 'A História do PT'. Se ela sai “cobrindo-se com o manto da indignação ética”, então “a candidatura Haddad representa o quê?”
'A candidatura Haddad representa o quê?' questiona o autor de 'A História do PT'
Mas o historiador alerta que a aliança do PT com o deputado Paulo Maluf (PP) - razão da saída de Erundina - não chega a surpreender. Pois “o PT vem desanimando sua militância desde os anos 1990, quando iniciou sua caminhada para tornar-se um partido da ordem, uma legenda meramente parlamentar”. Essa militância, observa, “tem hoje um espaço muito reduzido dentro do partido”.
Como o sr. avalia a decisão de Luiza Erundina de abandonar a candidatura Fernando Haddad?
É um golpe na imagem da candidatura de Haddad. Depois de aceitar ela decide sair, cobrindo-se com o manto da indignação ética. Ora, se ela encarna essa indignação ética, então a candidatura Haddad é o quê?
Qual o tamanho desse episódio nas mais de três décadas de existência do PT?
Não é novidade que o PT tenha apoio de políticos de direita. O vice na chapa de Lula, em 2002, e depois em 2006, era José Alencar, um empresário tido como direitista. E cabe lembrar que a Erundina apoiou essa chapa nas duas ocasiões. A propósito, ela própria desafiou o PT, ao qual pertencia, quando aceitou ser ministra de Itamar Franco nos anos 1990. Naquele momento, o PT era oposição.
A militância petista não se sente hoje um pouco órfã?
O PT vem desanimando sua militância desde os anos 1990. Aos poucos, ele foi se tornando um partido da ordem, meramente parlamentar. Abandonou suas origens, marcadas pela força dos movimentos sociais. Mas o partido tem um patrimônio que, desde a chegada de Lula ao poder, ele vem gastando. Ainda tem muito a gastar. Esse eleitor não vê alternativas à sua volta.
Ou seja, a militância perdeu seu papel?
Ela tem hoje um espaço muito reduzido no partido. É basicamente formada por funcionários, militantes profissionalizados que são dependentes de deputados e vereadores, uma burocracia partidária.
E o papel de Lula nisso tudo?
Surpreende-me que ele tenha voltado a fazer a “pequena política” dentro do petismo, coisa que tinha abandonado em 1989. Agora, o método que Lula empregou viola os métodos tradicionais da história do partido. Isso pode lhe custar caro.
Acredita que Erundina, aos 77 anos, foi embora porque preferiu cuidar de sua biografia?
É difícil dizer. Os políticos, em geral, vão até o fim da vida pensando no poder. A trajetória dela é a de uma política que passou de uma esquerda radical para posições moderadas.
Mas preservou a imagem de uma resistência a alianças.
Ela foi eleita para a Prefeitura numa época em que as alianças do PT eram muito restritas. Só os partidos comunistas a apoiavam. E o que ela fez, na ocasião, foi empenhar-se em ampliar esse leque de alianças.
Eram alianças com forças ideologicamente mais próximas.
O critério essencial para o PT, nesse tema, sempre foi outro: ele quer é a hegemonia - ou seja, ser o cabeça de chapa. Não importava tanto quem o estava apoiando. No caso inverso, quando ele é que apoiava, sempre houve problemas, mesmo quando a cabeça de chapa era algum socialista ou comunista.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Lula: de Deus a um Cesar
quarta-feira, 28 de março de 2012
A manobras diversionistas do cenário Sírio
Tudo bem, Assad é um ditador. Mas como levantar a voz por uma oposição que não vai conseguir governar se derem a ela de mão beijada, como quer o Ocidente, o poder Sírio.
O melhor exemplo que temos nesses governos não laicos é o Afeganistão.
Lá guerra de baixa intensidade é papo “diversionista”. No Iraque e na Líbia também está sendo.
E o que dizer quando Israel dá um chute no traseiro da Comissão de Direitos Humanos da ONU?
Assad talvez seja o maior discípulo da política “diversionista” israelense. Morde e depois assopra. E nada de paz, nada de estado palestino. Vendo as fotos dos "massacres" e da "terra arrasada" parece que estou vendo Israel na faixa de Gaza.
Não sou obcecado por Israel, mas sim pela paz, pelo direito e pela legalidade.
Sou contra a chamada manipulação democrática que o ocidente vem praticando para impor seus interesses.
A questão Síria tem tudo a ver com o que acontece na palestina. Ou vocês acham que a questão é de apenas mais ou menos democracia?
No entanto, se são “massacres” ou não, não tenho condição de avaliar posto que, devidos aos graves erros de comunicação de Assad (e ai estou com os russos) só se tem o relato de uma oposição dividida.
O ponto é: fosse a guerra com Israel, como foi no Líbano, e na invasão de Gaza haveria mobilidade para o trabalho dos jornalistas? Não haveria censura? E os jornalistas que fossem contra poderiam voltar uma outra vez?
Pergunte ao jornalistas que estiveram lá no sufuco que foram aqueles dias da invasão de Gaza. Israel é um estado democrático mas vive em guerra, e qualquer pais em guerra tem as suas leis.
Os russos criticaram Assad por não ter permitido a imprensa quando eram só umas passeatas de moradores de um bairro de Oms.
Somos esclarecidos demais para saber que democracias se forjam (não estou dizendo ser o caso de Israel), com parlamentos, tribunais e outras coisas, e perpetuam muitas vezes oligarquias (religiosas ou não) que ditam regras que, para alguns soam como anti-democráticas.
Para Assad a Síria é uma democracia, como também é para Fidel e para Chaves.
Em geral os que estão na oposição, ou sofrendo nas mãos desta dizem que não.
O problema da Síria é que tem gente inocente morrendo.
Nos 9.000 mortos (e a imprensa não diz, dando a entender que é tudo vítima de Assad) tem gente de ambos os lados. O melhor caminho para a paz é conversar e ceder, e é isso que os céticos duvidam que ambos os lados na Síria irão fazer. E os americanos irão permitir.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Ou Será o Fim de Assad?
Quando Faisal al-Qudsi, importante empresário sírio deu entrevista a cerca de 1 mês, repercutida pelas quatro cantos do mundo como o início da derrocada do governo Assad ele previu (1) que a ação do exército não duraria mais que um mês, uma previsão de vitória dos rebeldes baseada no cansaço da tropa de Assad, (2) que o aparato do governo estava se desintegrando, e que Homs e Idlib eram cidades sem lei, (3) que as sanções econômicas aplicadas contra a Síria haviam desintegrado a economia, que se encontrava a beira do caos.
De lá pra cá o que se viu. Assad mais forte no poder, Homs e Idlib retomadas, e o exército gastando uma fortuna pra comprar armas russas, inclusive caças.
Neste período também Assad avançou na negociação política.
Realizou um referendo, que mesmo com falhas foi um gesto, recebeu os emissários da ONU, entre eles Kofi Anan, e se prepara para eleições parlamentares.
Por seu lado, a oposição confiou demais que o Ocidente a armaria e só trilhou o caminho da guerra.
Não se viu nenhum gesto político por parte dela, a não ser dar a Assad carta branca para agir da mesma forma que Israel age, e que os EUA agem, acusando a todos de terrorismo e dizimando grande parte da população civil com sua superioridade militar.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Depois de FHC a classe "C" finalmente chegou ao paraiso
quarta-feira, 8 de junho de 2011
É fácil botar fogo no circo. Difícil é apagar o incêndio!!!
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Extra, extra! FHC chama Luis Inácio pro braço!!!
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
A verdade e os fatos sobre o Bolsa Família
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
As tais entrevistas do JN
domingo, 30 de maio de 2010
Lula, Morales e a dor de uma mãe
Mamãe não anda muito bem.
Está cansadinha e fraca. Acho que é a idade.
Estou com tantos problemas que você nem imagina.
Você sabe que minha filha passou para marinha graças a deus e se formou como enfermeira na faculdade.
Tiago o de 22 anos está caminhando e com certeza vai fazer uma faculdade.
Mas o Marcelo que tem 26 anos está viciado em crack. Tenho feito de tudo para interna-lo e sem sucesso.
Eles internam somente se ele quizer.
Fazenda Esperança e outros, já fiz contato.
Ele é um rapaz muito bom só faz o bem e tira até a roupa do corpo para dar para os outros.
Não entendo bem o que aconteceu no meu caso.
Vou entrar na justiça, na defensoria pública interná-lo involuntariamente.
A doutora diz que não vai adiantar muito, que talvez o tratamento com medicação seja pior e eles fogem do hospital e somem.
Fora isto as decisões são dificeis de serem tomadas. Nem sei o que fazer.
Já frequentou narcóticos anônimos e abandona. Igreja já tentei e no outro dia começa tudo de novo.
Não para em emprego nenhum. Fuma crack há 6 meses. Sinto que estou perdendo-o aos poucos.
Voce conhece alguém que possa me dar uma orientação?
Agradeço abraços
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Quem são os Dalits ???
Por 3.000 anos eles tem vivido num ciclo de discrimação e desespero sem esperança de escape.
Para os Dalits, dor e sofrimento são parte da vida.
Eles estão presos a um sistema de castas que nega a eles adequada educação, água potável, empregos com decente pagamento e o direito à terra ou à casa própria.
A cada duas horas Dalits são assaltados e duas casas de Dalits são queimadas.
A cada dia, dois Dalits são assassinados.
Discriminados e oprimidos, Dalits são freqüentemente vítimas de violentos crimes.
Em 15 de Outubro no Estado de Haryana, cinco jovens Dalits foram linchados por uma multidão por tirarem a pele de uma vaca morta, da qual eles tinham legal direito para fazer.
A Polícia, segundo consta, ficou parada sem nada fazer e permitiu que a violência continuasse. Em 1999, vinte e três trabalhadores agrícolas Dalits (incluindo mulheres e crianças) foram assassinados por seguranças particulares de um fazendeiro de alta-casta.
O crime deles? Ouvir a um partido político local com considerações que ameaçavam o domínio do fazendeiro sobre Dalits locais como mão de obra barata.Embora leis contra a descriminação de castas tenham sido aprovadas, a discriminação continua e pouco é feito para processar os acusados.
Em anos recentes, porém, tem havido um crescente desejo por liberdade entre os Dalits e castas baixas hindus. Líderes como Ram Raj tem vindo a frente exigindo justiça e liberdade da escravidão das castas e da perseguição.
Uma detalhada "Carta dos Direitos Humanos dos Dalits" foi redigida com apelos para a Comunidade Internacional e para a ONU, na esperança que isto colocaria um pressão positiva sobre o Governo Indiano. Mas pouco tem mudado - até recentemente.
Em Outubro de 2001, líderes Dalits se encontram com 740 líderes cristãos na Índia em uma histórica reunião.
Originalmente, alguns anos atrás, o líder Dalit (especificamente Ram Raj e outros) tinham se encontrado com certos cristãos na Índia que tinham recusado aceitar este esmagador número de pessoas em suas igrejas. Desencorajado, os líderes Dalits, como o líder Dr. Ambedkar então se converteram ao Budismo.
300 milhões de Dalits estão escravizados e sem esperança debaixo do jugo do hinduísmo."
Você pode fazer alguma coisa quanto a isto!
Divulgue!!!!
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
"Reflexões sobre o genocídio em Gaza"
TÁLIB MOYSÉS MOUSSALLEM
especial para Folha Online
"O mundo volta os olhos, estarrecido, ao que ocorre no território hoje chamado Israel. Choca a brutalidade do exército de Israel contra civis desarmados, agências de ajuda humanitária e, quem diria, até a própria ONU (Organização das Nações Unidas).
Justifica-se tais ataques como sendo forma de proteção e "direito à autodefesa". Esta justificativa não cabe mais numa sociedade globalizada e com acesso direto às mais diversas fontes de informação. Nem o mais inocente acreditaria em tal denominação para uma resposta agressiva e desproporcional, que visa extermínio em massa e disseminação de pânico e terror.
Se por um lado os palestinos são chamados de terroristas, por outro Israel também não deixa barato, com seu terrorismo de Estado, muito bem aprendido por Tzipi Livni [ministra de Relações Exteriores de Israel] com os seus antepassados dos grupos Irgun e Stern, precursores do terrorismo atual.
Lamentavelmente, nem sempre nas nossas escolas a história é passada a limpo. Pergunte a qualquer cidadão do Oriente Médio o que é Deir Yassin. Uma breve pesquisa na Internet dará a resposta ao leitor, para que o mesmo conheça os primórdios do que hoje é Israel. E olha que este foi simplesmente o início do que o povo palestino vem sofrendo há 60 anos.
Para a violência não há justificativa. Somo a minha voz às daqueles palestinos renomados, como Edward Said e Hannan Ashrawi, que condenam os ataques palestinos. Os ataques com os foguetes Qassam devem cessar imediatamente. É preciso que o povo palestino não aceite esta forma de se pressionar alguém para ir à mesa de negociações.
Ataques com homens-bomba, com foguetes, ou qualquer outra forma violenta só pioram a imagem dos palestinos e os colocam em pé de igualdade moral com aqueles que hoje aniquilam seu povo, aumentando a espiral de violência, num jogo de vingança ridícula e sem fim.
Mas, é hora de se perguntar por que não se chega a um acordo de paz na região.
Do ponto de vista dos críticos renomados, como Noam Chomsky, ainda não se sabe o que quer dizer "processo de paz" ou "comunidade internacional", termos tão usados na imprensa.
Processo de paz nos dá a sensação de que é um processo cujo único objetivo é postergar a paz.
Há quantos anos o leitor ouve falar de "processo de paz"? Toda vez que se vota uma resolução da ONU, Israel viola e fica por isso mesmo. Ao contrário de outras nações que violaram resoluções, como o Iraque e de pronto foi atacado (em 1991) e, mesmo sem resolução ou propósito claro foi atacado em 2003. Hoje em dia, nem mais resoluções da ONU se tem, pois os Estados Unidos vetam todas e quaisquer onde Israel tenha que ceder um mínimo.
Será que a "comunidade internacional" que permite a invasão do Iraque por uma força esmagadora --como o Exército dos EUA- é a mesma que permite que um banho de sangue pavoroso como o atual ocorra, sem qualquer punição ou intervenção?
Afinal de contas: quem é a "comunidade internacional"?
Impressiona que lemos e ouvimos que ela não pode aceitar fanáticos como iranianos desenvolvendo energia atômica, mas a mesma comunidade aceita que fanáticos de Israel tenham bomba atômica --Mordechai Vanunu que o diga e pagou anos a fio na prisão por denunciar a usina de Dimona.
Se ontem o mundo chorou (e ainda chora muito) os horrores do holocausto nazista, hoje chora o genocídio palestino perpetrado pelo poderoso Exército israelense. Não se pode justificar os crimes hediondos de hoje pelos atos sofridos no passado. Imagine se todos outros povos que sofreram genocídios resolvessem se vingar em outro povo do que sofreu no passado. O mundo estaria tomado por guerras e mais guerras.
Se hoje a desesperança de paz reina, há que se ouvir vozes a favor da paz. Acredito que as únicas forças capazes de mudar esse cenário são os moderados de um lado e do outro. Se do lado palestino há Mahmoud Abbas com sua ala de moderados, também em Israel há muito mais do que os atuais representantes sanguinários.
Felizmente, em Israel --que tem nas suas mãos a chance da paz por ser a força mais poderosa da região-- há grupos que não se calam.
B'tselem, Neturei Karta, Yesh Gvul, Peace Now, Courage to Refuse são alguns representantes daqueles que realmente querem a paz.
Acompanhe seus trabalhos pela Internet e verá que a sociedade israelense tem muitas pessoas de coragem que não se calam frente ao que hoje assistem.
A paz "justa e duradoura" que tanto o presidente (?) [George W.] Bush falou e só atuou contra, só virá com um acordo onde os dois povos vivam lado a lado em dois Estados independentes sem interferência de um no outro, como queria fazer Ehud Barak nos vergonhosos acordos de Camp David, muito bem rejeitados por Arafat.
É preciso se voltar às fronteiras de 1967 e se decidir o que fazer com os refugiados e com o futuro de Jerusalém.
Se eu tivesse em minhas mãos o poder de decidir o que seria feito pela paz, não pensaria duas vezes: traria ao Brasil representantes de Israel e da Palestina para que pudessem passar aqui um tempo, testemunhar e aprender com as comunidades judaica e árabe brasileiras vivendo em paz e harmonia, como irmãos."
Tálib Moysés Moussallem, 33, é brasileiro, médico infectologista.
domingo, 11 de janeiro de 2009
O cinísmo de uma nação
Na guerra da opinião pública até o governo brasileiro tenta tirar sua casquinha.
É cínica a posição do governo brasileiro de enviar 14 t. de ajuda dita "humanitária" para Gaza, assim como foi cínica a declaração do presidente Luis Inácio de que "eles precisam parar de se matar”.
Sabem por quê?
Todos viram na televisão e em fotos de jornais aqueles chuviscos no céu parecendo fogos de artifício.
Pois bem... Aquilo são bombas de fragmentação, também chamadas de "bombas burras", que explodem ainda no céu se multiplicando em centenas de outras bombas menores que caem sem nenhuma direção. São elas, junto com as chamadas "bombas de fósforo", e os torpedos lançados pelos tanques israelenses contra tudo que se move, a maior causa pelos mais de 800 mortos em Gaza, a maior parte civis crianças.
E não é que o governo brasileiro se alinhou a grupo de países, entre eles EUA, Israel e Índia, para barrar um tratado que acabaria de vez com as chamadas "bombas de fragmentação", quando mais de cem países assinaram o acordo.
E a razão é simples: o Brasil é um dos grandes fabricantes e fornecedor deste tipo de bomba, e o governo Luis Inácio na defesa dos interesses da indústria da guerra impede que esse tipo de armamento deixe de ser fabricado.
Portanto, nada mais cínico do que enviar ajuda humanitária (por sinal, como diria o presidente, "uma mixaria" diante dos milhões de dólares que a indústria bélica brasileira fatura com a exportação de armas de guerra), e ainda querer fazer propaganda quando que, no fundo o Brasil também está por trás dessa matança.
Leia no site da BBC-Brasil:
Brasil fica fora de acordo contra bombas de fragmentação
País não está entre os mais de cem que devem assinar tratado sobre polêmica arma.
Países fecham acordo para banir bombas de fragmentação
Tratado prevê destruição de arsenais em oito anos; Brasil e Estados Unidos se opõem.
Brasil é pressionado em conferência contra bombas de fragmentação
Fabricante e exportador, país não participa do Processo de Oslo, que busca proibição.
A "hasbara" não favorece a palestina

O artigo tenta dar a impressão que o mundo todo vem se indignando contra os horrores dessa guerra e as atrocidades que Israel vem cometendo contra o povo palestino, graças a uma formidável sucessão de erros de comunicação por parte de Israel, e a uma verdadeira máquina de informação montada pelos árabes, capitaneada pela rede Al-Jazeera.
Não é o que parece.
Em entrevista a Folha On-Line, o escritor e jornalista Philip Knightley, do Jornal "Sunday Times", e intitulada "Israel tem mais porta-vozes que os EUA" ele diz:
"É muito sofisticada (a máquina de propaganda israelense). Todos os porta-vozes são altamente treinados para o contato com a mídia, repetem sempre a mesma mensagem, num inglês impecável. (...) Eles têm muitos porta-vozes, mais até do que os EUA. Você vê o porta-voz do Ministério da Defesa, do Interior, das Relações Exteriores, homens, mulheres, embaixador para a ONU, embaixador para o Reino Unido. Passa a impressão de uma grande quantidade de pessoas de peso que têm sempre a mesma visão, repetindo sempre a mesma história."
Sobre a propaganda palestina diz Kinightley:
"Eles querem defender sua posição, e mostrar gente sofrendo pode ser um tipo de propaganda. Uma contra a outra, a israelense ainda é muito mais eficiente. É muito ocidentalizada. Os palestinos chegaram muito atrasados à ideia de propaganda. Eles ingenuamente acreditaram que sua causa seria salva pelos seus méritos. E isso não é suficiente contra máquinas sofisticadas como a israelense e a norte-americana."
No mais tanto Gustavo Chacra como Philip Kinightley concordam ser um grande erro a não entrada de jornalistas em Gaza para mostrar a guerra.
"É claro que, se a TV mostrasse a verdadeira e horrorosa face da guerra, não seria possível para Israel manter sua posição" disse Kinightley.
sábado, 10 de janeiro de 2009
Que parem os massacres em Gaza!

O protesto contou com 100 mil pessoas, segundo os organizadores.
França
Um número estimado de 30 mil pessoas gritava: “Nós somos todos crianças de Gaza”.
Itália
Diversas bandeiras israelenses foram queimadas durante manifestações realizadas em cidades da Itália contra a ofensiva do exército israelense na Faixa de Gaza.
- Milão
A manifestação contou com o maior número de participantes, com milhares de pessoas, segundo a imprensa local.
- Turim
Se reuniram cerca de 1,5 mil pessoas, de acordo com a imprensa local.
Alemanha
Mais de 20 mil pessoas, segundo fontes policiais, se juntaram aos atos convocados em diferentes cidades alemãs para manifestar-se contra a intervenção de Israel na Faixa de Gaza.
- Maguncia
A polícia informou que 5 mil se reuniram em protesto com gritos de "Parem com o assassinato de crianças", "Paz para Palestina" e "ONU, onde está sua intervenção?".
- Berlim
2,5 mil pessoas se juntaram para pedir o cessar-fogo, em sua maioria palestinos, escoltados por forte contingente policial.
Também houve protestos nas cidades de Stuttgart, Tubinga e Friburgo.
- Munique
800 pessoas atenderam aos chamados da comunidade palestina e saíram às ruas.
- Dresde
200 pessoas saíram em protesto.
- Edimburgo
Cerca de 300 sapatos foram atirados por manifestantes contra o consulado dos Estados Unidos e três policiais sofreram feridas leves.
Espanha
Barcelona, Pamplona e Las Palmas para pedirem a interrupção da ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza, em solidariedade com o povo palestino e em favor de um boicote político e comercial a Israel.
- Barcelona
Contando com cerca de 30 mil pessoas, segundo a polícia, e convocadas por mais de 300 entidades cívicas catalãs.
- Pamplona
Palco de um protesto contra a ofensiva em Gaza. Cerca de 3 mil pessoas, segundo os organizadores, e 2,4 mil, conforme a polícia.
- Las Palmas de Gran Canaria
7 mil pessoas - 4 mil segundo a Polícia - também exigiram o final imediato do ataque de Israel a Gaza em um protesto que terminou aos gritos de "Palestina vencerá".
- Málaga
Cerca de 2,5 mil pediram a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza e expressaram sua condenação e sua repulsa ao conflito.
Líbano
Milhares de pessoas acompanharam um comício promovido pelo Hizbollah.
Atenas
Manifestantes seguravam fotografias de crianças palestinas feridas pelos bombardeios israelenses em Gaza.
Austrália
Centenas de manifestantes atiraram sapatos contra o prédio da embaixada israelense em Camberra.
Protestos também em Saravejo (Bósnia), Aberdeen (Escócia), Belfast (Irlanda do Norte), Newcastle e Southampton (Inglaterra).
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
"Estão atirando em todo mundo que tenta buscar os corpos", diz morador de Gaza
http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u488188.shtml
"Não dormimos há dez dias", diz palestino em Gaza
colaboração para a Folha Online
O professor universitário Hader Eid, morador na cidade de Gaza, contou à Folha Online por telefone, nesta quinta-feira (8), que não dorme há dez dias por causa dos bombardeios feitos pelo Exército israelense naquele território palestino. Os ataques, que começaram há 14 dias, já mataram mais de 700 e feriram cerca de 3.000 palestinos. "Onde quer que você vá, está exposto ao fogo de Israel. Estamos sendo massacrados, desumanizados."
Nesta quarta-feira (7), um primo do professor teve o filho de 4 anos morto por estilhaços de disparos de tanques que o atingiram na cabeça.
Eid conta que os ataques israelenses já acontecem a cerca de 1 km da casa onde ele mora e que, em uma madrugada, ouviu um prédio do governo federal ser destruído por militares. "O prédio inteiro onde moro estava balançando, caí da cama." Com o susto, o professor passou a dormir no corredor "por segurança, porque não tem janelas".
Ele relata ainda que um conhecido morador do campo de refugiados de Jabaliya foi baleado lá e obrigado, pelos israelenses, a ficar dentro de casa, sem receber auxílio. "Estão atirando em todo mundo que tenta buscar os corpos." O relato vai ao encontro das acusações feitas nesta quinta-feira pela Cruz Vermelha sobre a dificuldade de chegar às vítimas do conflito.
Segundo o professor, três dias atrás aviões israelenses jogaram panfletos sobre o seu bairro, em que pediam que as pessoas deixassem suas casas e dirigirem-se para o centro da cidade.
"Ninguém foi para o centro, mas duas horas depois que eles jogaram os panfletos, eles começaram a bombardear de avião o centro. Se a gente tivesse ido, teríamos morrido."
A Embaixada de Israel declarou que os panfletos, bem como ligações telefônicas com gravações, têm o objetivo de alertar os civis de Gaza sobre áreas que serão bombardeadas e evitar vítimas civis.
Em relação às tréguas que Israel concedeu quarta (7) e quinta-feira para entrada de ajuda humanitária, o professor disse tratar-se de uma "grande mentira". "Eu pude ouvir, durante essas três horas, disparos por toda a parte."
"O que tenho feito é dar entrevistas, como eu estou fazendo com você neste momento, pra conseguir levar nossa voz para fora de Gaza." Sem eletricidade há 12 dias, Eid falou com a Folha Online de dentro do carro, na garagem do prédio onde mora --seu celular estava conectado à bateria do veículo.
Eid diz acreditar que pode haver "paz com justiça" na região "quando 6 milhões de refugiados palestinos puderem voltar às suas casas e terras, de onde foram expulsos em 1948".
Para entender a guerra
- Nenhum míssil foi disparado da Cisjordânia contra Israel no atual conflito
- Se fosse, Israel teria que fechar o aeroporto Ben Gurion, a poucos quilômetros da fronteira
- Como qualquer país do mundo, Israel tem o direito de se defender de mísseis e foguetes lançados contra o seu território
- O Hamas prega a destruição de Israel na sua carta de fundação, mas líderes do grupo já deram a entender que aceitariam uma trégua de anos caso fosse criado um Estado palestino na Cisjordânia e Gaza. Os israelenses exigem um reconhecimento incondicional
- Palestinos de Gaza e da Cisjordânia não se encontram nunca, a não ser por autoridades
- Existem muitos cristãos palestinos
- O principal líder do Hamas, Khaled Meshal, vive em Damasco, bem longe da destruída faixa de Gaza
- Israel desrespeita acordos com os palestinos e determinações da ONU ao construir e manter assentamentos na Cisjordânia e nas partes árabes de Jerusalém, tornando praticamente impossível a criação de um Estado palestino na área
- Palestinos sofrem enormes restrições para se movimentar pela Cisjordânia, não podendo dirigir em algumas estradas usadas por israelenses e sendo obrigados a passar por checkpoints de Israel ao ir de uma cidade palestina para outra
- Foram retirados 8.000 colonos da Faixa de Gaza. Esse número é cerca de 3% do total de colonos judeus que vivem na Cisjordânia
- Nenhum assentamento foi desmantelado na Cisjordânia. Todos são considerados ilegais pela ONU
- O "pacifista" Shimon Peres, e não Netanyahu e Sharon, foi o responsável pelo maior número de assentamentos construídos nosterritórios palestinos
- Peres também era premiê quando Israel bombardeou um abrigo da ONU em Qana, no Líbano, matando mais de cem pessoas
- Sharon retirou os assentamentos de Gaza, Netanyahu entregou Hebron para a Autoridade Palestina e Begin assinou o acordo de paz com o Egito. Todos eles eram conservadores
- O mandato do presidente palestino, Mahmoud Abbas, acaba hoje
- No seu mandato, foram retirados todos os cartazes que louvavam mártires (terroristas suicidas) das ruas de Ramallah. A cidade tem se desenvolvido bem, longe de ter aquela imagem de destruição de cinco anos atrás, quando era governada por Arafat, que vivia cercado por tanques na Muqata (quartel-general da Autoridade Palestina)
- Não foram realizadas novas eleições lesgislativas nos territórios palestinos e, em teoria, o Hamas ainda tem maioria no Parlamento
- Israel retirou os assentamentos da Faixa de Gaza, mas nunca perdeu o controle do espaço aéreo e marítimo do território
- O Hamas executou, durante o atual conflito, membros do Fatah (grupo rival palestino). A informação é de Amira Hass, repórter israelense que viveu por anos em Gaza e é respeitada mesmo por autoridades do Hamas
- As pessoas não vivem em bunkers nas cidades do sul de Israel, apesar, de muitas vezes, terem que se refugiar em abrigos por medo de serem alvo de mísseis
- Os jornalistas são proibidos por Israel e pelo Egito de entrar em Gaza. Ficam posicionados a quilômetros de distância da fronteira. A imagem que se vê de Gaza nas TVs vem de canais como a Al Jazeera ou por zoom das câmeras que estão em Israel
- Não se vê tanta destruição nas cidades israelenses porque o governo de Israel é rápido na reconstrução
- Não foi cometido nenhum atentado suicida desde o início da ofensiva
- Além do Hamas, o Jihad Islâmico também enfrenta Israel
- O território de Israel hoje não é o que ficou definido na partilha da ONU, em 1947. Mas sim o dos acordos de armísticio, de 1949
- Até 1967, Israel não ocupava territórios palestinos fora da área do armistício
- Jenin, símbolo dos combates na ofensiva israelense contra a Cisjordânia em 2002, é uma das cidades palestinas mais estáveis atualmente
- Os disparos de mísseis feitos por palestinos desde o território libanês poderiam ter massacrado 26 idosos israelenses que viviam em um asilo em Naharyiah. Vejam descrição em reportagem minha no Estado
- O líder Hamas, xeque Ahmed Yassin, assassinado por Israel em 2004, nasceu em Ashkelon, hoje território israelense e alvo de ataques do grupo palestino. Shimon Peres, presidente de Israel, nasceu na Polônia
- O governo libanês condenou o lançamento de mísseis a partir do seu território contra Israel, dizendo que os responsáveis violaram a resolução 1701 da ONU. Foi uma das raras vezes que a administração libanesa ficou ao lado dos israelenses
- Aviões israelenses também violam a mesma resolução da ONU ao voar sobre o Líbano todo (não apenas o sul), durante quase todo o ano
- O conflito árabe-israelense tem na liderança do lado "árabe" um país que não é "árabe" - O Irã, que é persa. Os países "árabes", como o Egito e a Arábia Saudita, estão contra o Hamas
- O Irã, mesmo atacando verbalmente Israel, nunca teve coragem de bater de frente com os israelenses
- A visita de Celso Amorim à região não ganhou muito "destaque" na imprensa israelense
Uma guerra desnecessária
Depois de visitar Sderot, em abril, e observar os danos psicológicos causados pelos foguetes que caíram naquela área, minha mulher, Rosalynn, e eu concluímos que esses ataques com foguetes lançados de Gaza eram imperdoáveis, um ato de terrorismo. Embora as vítimas sejam raras (três mortes em sete anos), a cidade estava traumatizada pelas explosões. Cerca de 300 moradores mudaram para outras comunidades e as ruas, playgrounds e shopping centers estavam vazios. O prefeito Eli Moyal reuniu um grupo de cidadãos em seu gabinete para conversar conosco e eles se queixaram que o governo de Israel não conseguia pôr um fim a esses ataques, seja pela diplomacia ou por uma ação militar.
Sabendo que logo mais veríamos os líderes do Hamas em Gaza e também em Damasco, prometemos avaliar as perspectivas de um cessar-fogo. Ficamos sabendo pelo chefe do serviço de inteligência egípcio, Omar Suleiman, encarregado das negociações entre israelenses e o Hamas, que existia uma divergência fundamental entre os dois lados. O Hamas queria um cessar-fogo amplo, que abrangesse Cisjordânia e Gaza, e os israelenses recusavam-se a discutir qualquer outra coisa além de Gaza.
Soubemos que 1,5 milhão de habitantes de Gaza estavam passando fome quando o relator da ONU declarou que a desnutrição na região estava no mesmo nível dos países pobres do sul do Saara.
Os líderes palestinos de Gaza foram evasivos quanto a esses problemas, afirmando que os foguetes eram o único meio de reagir a seu confinamento e de chamar a atenção para a dramática situação humanitária dos palestinos. Mas em Damasco, os líderes do alto escalão do Hamas aceitaram analisar um cessar-fogo apenas em Gaza, desde que Israel não atacasse a região e permitisse que a ajuda humanitária chegasse até os palestinos.
Depois de extensas discussões com os companheiros de Gaza, os líderes do Hamas em Damasco também mostraram-se dispostos a aceitar um acordo de paz negociado entre israelenses e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, líder da Organização para Libertação da Palestina (OLP), contanto que fosse aprovado pela maioria dos palestinos em referendo ou por um governo de unidade eleito pela população.
Como estávamos ali como observadores e não como negociadores, transmitimos a informação aos egípcios, que prosseguiram com a proposta de cessar-fogo. Depois de um mês, egípcios e o Hamas informaram que as ações militares dos dois lados seriam interrompidas em julho por um prazo de seis meses e a ajuda humanitária seria retomada, voltando ao nível de antes da saída de Israel da região em 2005 (700 caminhões por dia).
Não conseguimos confirmar esses acertos em Jerusalém porque Israel não quis admitir qualquer negociação com o Hamas. Mas os disparos de foguetes foram interrompidos e os suprimentos de alimentos, água, remédios e combustível para Gaza foram reforçados embora o aumento tenha sido só de 20%.
Essa frágil trégua foi parcialmente violada em novembro, quando Israel lançou seus ataques para destruir um túnel que vinha sendo escavado pelo Hamas entre a fronteira de Gaza e o Egito.
Em outra visita à Síria, em dezembro, tentei conseguir que a trégua de seis meses, que estava expirando, fosse ampliada. Mas estava claro que a questão mais importante era a abertura das fronteiras para Gaza. Representantes do Centro Carter reuniram-se com autoridades israelenses em Jerusalém e indagaram se isso era possível em troca de uma interrupção dos ataques com foguetes.
O governo israelense disse informalmente que 15% dos carregamentos normais de ajuda humanitária seriam retomados se o Hamas interrompesse os ataques por 48 horas, o que não foi aceito pelos palestinos. Então, as hostilidades irromperam.
Depois de 12 dias de "combates", as forças israelenses informaram que mais de mil alvos tinham sido bombardeados. Israel rejeitou as pressões internacionais por um cessar-fogo, com apoio de Washington. Dezessete mesquitas, a Escola Internacional Americana, residências particulares e boa parte da infraestrutura desse pequeno território foram destruídas, bem como os sistemas de fornecimento de água e de eletricidade.
A esperança é que, quando as hostilidades cessarem, Israel, o Hamas e os EUA aceitem um novo cessar-fogo, com a interrupção dos lançamentos de foguetes e a permissão para a entrada da ajuda humanitária aos palestinos . O próximo passo possível deve ser uma paz ampla e permanente.
*Jimmy Carter foi presidente dos EUA de 1977 a 1981. Fundou, em 1982, o Centro Carter, ONG que busca colaborar para a paz no mundo
Relatos de Gaza (2)
"Hoje é o oitavo dia desta guerra terrível. Para mim, ontem foi o pior dia de todos. Quando eu acordei de manhã, um dos meus amigos me telefonou. Quando perguntei como ele estava, ele estava com uma voz estranha.
Ele disse: "Bem, mas você tem notícias de alguns dos seus amigos?"
Eu fiquei muito assustada e perguntei para ele se tinha algo errado. Ele me disse que Christine morreu.
Eu fiquei muito chocada e até agora eu ainda não acredito. Eu liguei para alguns amigos para confirmar a notícia, e todos estavam muito tristes.
Ela era minha amiga havia quase quatro anos. Nós íamos à escola e ao YMCA (Associação Cristã de Moços) juntas.
Eu estou triste, com medo e preocupada ao mesmo tempo, porque ela era como uma irmã para mim.
Ele disse: "Bem, mas você tem notícias de alguns dos seus amigos?" Eu fiquei muito assustada e perguntei para ele se tinha algo errado. Ele me disse que Christine morreu.
Eu sinto pêsames por ela e pela família dela. Os pais dela fizeram o melhor que puderam, mas não foi o suficiente para salvá-la.
E se os meus pais não pudessem me proteger e me dar apoio quando eu preciso... eu vou morrer também?
O que eu posso dizer agora é que o meu futuro está quase destruído.
Um foguete israelense atingiu minha escola nesta manhã, e a escola foi destruída completamente.
Eu não consigo realmente imaginar por que eles estão bombardeando lugares religiosos e de educação, como mesquitas, escolas e universidades.
A cada explosão, nós sentimos nossa casa balançar e quase sendo destruída. E as pessoas que já perderam as suas casas? Eu estou chorando por causa da morte de uma amiga... E as pessoas que perderam pelo menos quatro ou cinco familiares?
Depressão e medo estão tomando conta das nossas almas e cercando nossas casas... O que virá depois?
Não tem nada que eu queira mais do que o fim desta guerra logo e que o povo palestino possa viver como qualquer outro povo, que as crianças palestinas possam aproveitar as suas infâncias, como qualquer criança no mundo.
Nos ajudem, porque somos todos seres humanos."
Do site da BBC-Brasil
Relatos de Gaza (1)
"Este é o quinto dia da operação militar em Gaza, chamada de "Cast Lead". Terror e destruição estão por toda parte.
Há coisas que não estão sendo bem transmitidas no noticiário; os sentimentos! Eu tenho três filhos – uma filha, Nour, de 14 anos; e dois filhos, Adam, de nove, e Ali, de três.
Nós vivemos em uma área na Cidade de Gaza que era descrita como "segura". Nenhum lugar pode mais ser considerado seguro. Meus filhos não conseguem dormir, e eu não consigo ajudá-los.
Será que eu fui tão egoísta de pensar apenas na minha vontade de ser mãe, e ignorei o provável fracasso que eu seria em proteger meus filhos?
Os sentimentos de inutilidade e culpa – que sempre acompanham a sua impossibilidade de proteger ou pelo menos confortar os seus filhos – são sempre mais forte do que os de medo e horror.
Minha filha estava contando a um jornalista, ontem pelo telefone, que ela nunca teve o apoio que precisava de mim quando nós estávamos sendo bombardeados. Eu fiquei chocada!
Eu me senti tão culpada porque a minha filha sentiu meu medo. Mas não é normal estar com medo, em meio a tudo isso?
Adam é asmático e usa um ventilador médico. Devido ao estresse e à poluição causada pelos escombros, ele está tendo ataques de asma cada vez mais freqüentes, e não temos eletricidade para o seu aparelho.
Cada vez que ele tem um ataque nós temos que ligar um gerador para ele, e logo em seguida desligar o aparelho. Não temos combustível suficiente para manter o gerador ligado e não temos idéias de por quanto tempo isso vai continuar.
Minha filha estava contando a um jornalista, ontem pelo telefone, que ela nunca teve o apoio que precisava de mim quando nós estávamos sendo bombardeados.
Ali não tem idéia do que está acontecendo. A única coisa que ele faz é berrar quando começam as bombas, e quando tudo acaba ele usa a sua imaginação para contar histórias sobre bombas.
As crianças não dormem. Nós passamos dias e noites em um quarto com minha cunhada e a sua filha. Dá para sentir o estresse e o medo. Dá para ver isso na cara de todos.
Na noite passada, eu estava pensando sobre tudo isso. Eu não quero que ninguém da minha família se machuque e eu penso que se alguma coisa acontecer, eu rezo para que aconteça comigo, e não com os meus filhos.
Mas depois eu penso que não quero que meus filhos me vejam despedaçada. As cenas na TV de pessoas morrendo são tão assustadoras, e eu sei o que significa para as crianças elas verem essas coisas.
O que eu realmente quero é que isso tudo acabe e que eu e meus filhos possamos viver como qualquer um no mundo. Eu quero me livrar dos sentimentos de culpa em relação aos meus filhos.
Eu estava errada em ter filhos? Eu não tenho o direito de ser mãe? Eu estou realmente fazendo um trabalho de mãe de ser uma fonte de conforto para os meus filhos?
Eu sei que não é minha culpa, mas eu sei que eu vivo na Faixa de Gaza, e Gaza nunca foi um ambiente saudável para se criar filhos.
Será que eu fui tão egoísta de pensar apenas na minha vontade de ser mãe e ignorei o provável fracasso que eu seria em proteger meus filhos?"
Do site da BBCBrasil
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Assassinato ou genocídio?
"Em uma conferência por telefone de Jerusalém, o porta-voz da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinos (UNRWA), Christopher Gunness, disse que a suspensão por três horas diárias dos ataques é claramente insuficiente para atender a crise humana em Gaza. "O que acontece com as pessoas nas 21 horas restantes? Vimos famílias saindo apressadas de edifícios atingidos (pelos bombardeios) para conseguir um pouco de comida durante as três horas de cessar-fogo", disse. Gunness disse que é preciso um corredor humanitário permanente e que o cruzamento de fronteira de Karni (utilizado para a entrada de mercadorias a Gaza) seja aberto para a entrada da ajuda de emergência.
Equipes humanitárias encontraram quatro crianças famintas sentadas ao lado das suas mães mortas e de outros cadáveres em uma casa da Cidade de Gaza bombardeada por forças israelenses, disse o Comitê Internacional da Cruz Vermelha na quinta-feira, acusando Israel de violar o direito humanitário internacional na região. O CICV acusou Israel de impedir o pronto acesso de ambulâncias à área atingida, e exigiu mais segurança para a retirada de feridos por parte do Crescente Vermelho Palestino. "Trata-se de um incidente chocante", disse Pierre Wettach, diretor do CICV para Israel e os territórios palestinos. "Os militares israelenses devem estar cientes da situação, mas não assistiram os feridos. Nem possibilitaram que nós ou o Crescente Vermelho Palestino assistamos os feridos", disse.
A equipe de resgate "encontrou quatro crianças pequenas ao lado das suas mães mortas em uma das casas. Elas estavam fracas demais para se levantarem sozinhas. Um homem também foi achado vivo, fraco demais para se levantar. Ao todo havia pelo menos 12 cadáveres sobre colchões". Em outra casa, a equipe encontrou 15 sobreviventes de um bombardeio israelense, sendo vários deles feridos. Três corpos foram achados em outra casa. Soldados israelenses postados a cerca de 80 metros de distância ordenaram que a equipe de resgate deixasse o bairro, o que o grupo se recusou a fazer, segundo a nota. O CICV disse ter informações também de que há mais feridos abrigados em outras casas destruídas da área.
Em termos mais fortes do que o habitual, a Cruz Vermelha, que é neutra nos conflitos, disse que Israel estaria violando o direito internacional. "O CICV acredita que, neste caso, os militares israelenses deixaram de cumprir sua obrigação, sob o direito humanitário internacional, de cuidar dos feridos e retirá-los. (O CICV) considera inaceitável a demora em autorizar o acesso dos serviços de resgate". Em uma resposta escrita, o Exército de Israel disse que realiza um trabalho coordenado com organismos de ajuda internacional para dar assistência aos civis e que "de nenhuma maneira atinge intencionalmente civis".
A ofensiva israelense contra o Hamas, iniciada em 27 de dezembro, está atraindo crescentes críticas da comunidade internacional devido ao elevado número de vítimas civis. Israel diz que a ação visa a impedir militantes islâmicos de dispararem foguetes contra o seu território. "
"Acompanhem a "minha guerra"..."
Da Redação do Comunique-se
Nesta quarta-feira (07/01), o governo israelense decidiu liberar a entrada de um pequeno grupo de jornalistas na Faixa de Gaza. O porta-voz do Ministério da Defesa de Israel, Ronen Moshé, confirmou a abertura do posto de Erez, no norte de Gaza. Desde o início dos ataques a imprensa internacional estava proibida de entrar na região do conflito, mas, com a decisão da Suprema Corte, a partir de um pedido da Associação de Imprensa Estrangeira, Israel teve de liberar alguns jornalistas.
De acordo com informações da EFE, um grupo de jornalistas foi selecionado para acompanhar o exército israelense, seguindo o formato que foi adotado pelo exército americano durante a guerra no Iraque.
Uma porta-voz da Associação de Imprensa Estrangeira em Israel (FPA), que durante o último mês denunciou o fechamento de Gaza para profissionais da informação, disse estar aliviado com a notícia da abertura e espera que “incidentes como este nunca mais voltem a ocorrer”.
Uma guerra de um lado só...
Carla Soares Martin, de São Paulo
A editora de Mundo da Folha, Claudia Antunes, classificou nesta quarta-feira (07/01) de censura a restrição de jornalistas à Faixa de Gaza, onde ocorre o ataque israelense contra milicianos do Hamas. “Israel está tentando uma censura”, disse.
Claudia conta que, com a restrição de jornalistas internacionais em Gaza – com exceção do americano New York Times e do britânico Independent, que tem correspondentes árabes na região e alguns poucos –, o enviado da Folha, Marcelo Ninio, está tendo que se virar para encontrar informação, com fontes em Gaza, em Israel e com outros veículos de imprensa.
Nesta quarta (07/01), o governo israelense permitiu, depois de recuar da decisão da Suprema Corte, a entrada de alguns jornalistas para acompanhar a ofensiva em Gaza. Não se sabe se algum deles é brasileiro.
“Não há nenhuma pressão de Israel, mas a proibição à entrada em Gaza é claro que prejudica a cobertura e a torna incompleta”, disse o enviado especial Marcelo Ninio, nesta quarta, ao Comunique-se, antes de Israel liberar a presença de alguns jornalistas no embate. Incompleta no sentido de não se ter a versão da mídia internacional, que poderia fazer uma espécie de mediação do conflito, sobre o lado de militantes do Hamas. “Ninguém sabe quantos milicianos do Hamas morreram, por exemplo”, cita Claudia. As informações vem de civis palestinos, pelo celular e pela Internet, que, é claro, mantém uma postura parcial do ataque.
A cobertura da Folha, além do enviado especial, supre-se de informações de agências internacionais e da TV Al Jazeera, que está em Gaza.
Enviado do Estadão diz que Israel não poderia ter influência em Gaza
O enviado especial do Estadão a Israel, Gustavo Chacra, disse ao Comunique-se que, em Israel, Gaza não pertence a ninguém. “Israel e o Egito têm o direito de proibir qualquer um de entrar em seus territórios. Mas não na Faixa de Gaza, que não pertence a nenhum dos dois países. E cada jornalista pode decidir por conta própria se quer se arriscar”. O Egito tomou a decisão de impedir a entrada de jornalistas estrangeiros.
Ao relato de Ninio, Chacra acrescenta que os israelenses são muito atenciosos com a mídia, oferecendo o máximo de informações possíveis, assim como a Autoridade Palestina, em Ramallah.
Sobre a tendência da mídia de enviar correspondentes apenas em casos extremos, como guerras, aos países, Ninio diz que se deve ir atrás de qualquer assunto relevante, Chacra responde com Talese: “Para esta pergunta, respondo com o primeiro parágrafo do livro O Reino e o Poder, do Gay Talese, que conta a história do New York Times. (Lembro de cabeça, mas tenho quase certeza que é assim). 'Em sua maioria, os jornalistas são incansáveis voyeurs que vêem os defeitos do mundo, as imperfeições das pessoas e dos lugares. Uma cena sadia, que compõe boa parte da vida, ou a parte do planeta sem marcas de loucura não os atraem da mesma forma que tumultos e invasões, países em ruínas e navios a pique, banqueiros banidos para o Rio de Janeiro e monjas budistas em chamas - a tristeza é seu jogo, o espetáculo, sua paixão, a normalidade, sua nêmese.'” É assim mesmo, Chacra.
Jornalista iraniano é preso por cobrir invasão na Faixa de Gaza
Autoridades israelenses prenderam, nesta segunda-feira (05/01), um repórter iraniano que cobria a entrada das Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla em inglês) na Faixa de Gaza.
O jornalista é acusado de ter violado leis militares que proíbem a divulgação de informações durante as fases iniciais da incursão por terra.
O repórter, morador de Ras al Amud, na parte leste de Jerusalém, foi interrogado pela unidade policial de investigações internacionais. Ele respondeu às autoridades por meio de seu advogado.
(*) Com informações do Haaretz.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
O ataque a escola da ONU em Jabaliya

Os ataques israelenses mataram pelo menos 40 pessoas que se refugiaram dentro de uma escola da ONU na faixa de Gaza, disseram médicos.
O ataque nesta terça-feira foi a uma escola dirigida pela agência para refugiados palestinos Unrwa, Nações Unidas ao norte da cidade Jabaliya.
As fontes médicas em dois hospitais de Gaza disseram que os dois mísseis saídos tanques explodiram fora da escola, onde centenas dos palestinos tinham procurado abrigo dos ataques israelenses.
O pedágio feito pelos militares israelenses levantou-se rapidamente enquanto as equipes de resgate se esforçaram através dos destroços.
Além aos mortos, diversas pessoas ficaram feridos, disseram as fontes.
Os médicos disseram que todos os mortos ou eram pessoas que se protegiam na escola, ou residentes do campo de refugiados de Jabalya, ao norte da faixa de Gaza.
John Ging, diretor de operações em Gaza da Unrwa, destacou a relevância dos trabalhos da agência das nações unidas, e disse que os mísseis caíram perto da escola onde 350 pessoas faziam uso para se abrigar.
Ging disse que a Unrwa forneceu ao exército Israelense informe com as coordenadas geográficas exatas de suas instalações, e que a escola estava em uma área de construções muito altas.
“Naturalmente era inteiramente inevitável se os mísseis da artilharia atirados nessa área fossem causar um número elevado das vítimas“ disse ele.
“As investigações estão no começo… O que havia lá era fogo hostil contra nossas tropas utilizando-se das instalações da ONU“ disse Marque Regev, porta-voz do primeiro-ministro israelense.
“Nossa unidade respondeu ao ataque. Havia explosões fora das proporções das que estamos acostumados“disse.
Ainda o ataque a escola em Gaza

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que pelo menos 30 pessoas morreram e 55 ficaram feridas em um ataque israelense que atingiu uma escola dirigida pela organização na Faixa de Gaza.Várias crianças estariam entre os mortos na escola al-Fakhura, no campo de refugiados de Jabaliya, norte da Faixa de Gaza, que foi atingido diretamente, segundo médicos dos hospitais próximos do ataque.
A ONU pediu a realização de uma investigação independente sobre o episódio.
Fontes médicas palestinas dizem que o número de mortos chega a 40, segundo a correspondente da BBC em Jerusalém Bethany Bell.
De acordo com Bell, os feridos foram levados a dois hospitais. Médicos do hospital Kamal Adwan, em Beit Lahiya, informaram que 30 pessoas morreram no ataque aéreo. Médicos do hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza, dizem que outros dez corpos foram levados para lá.
Segundo testemunhas, pelo menos um míssil israelense atingiu a escola na tarde desta terça-feira, causando uma grande explosão e espalhando fragmentos entre as pessoas dentro e fora do edifício.
Centenas de pessoas estavam dentro da escola administrada pela ONU tentando se abrigar dos combates entre soldados israelenses e militantes que ocorrem nos arredores do campo de refugiados, ao leste da Cidade de Gaza.
Enquanto um cessar-fogo não chega as escolas da ONU são atingidas

CONFORME RELATO DA CNN DA CIDADE DE GAZA
Três mísseis da artilharia israelense caíram próximos a uma escola da ONU ao norte da cidade de Gaza matando pelo menos 30 pessoas e ferindo 55, disse um representante da ONU.
Israel diz que o ataque foi em resposta aos militantes do Hamas que tinham se refugiado na escola para atirar mísseis nas forças israelenses, e que tinha avisado antes que faria o ataque, segundo uma investigação preliminar.
No entanto, o diretor da agência da ONU John Ging disse, que devido a escola estar lotada de pessoas que a utilizavam como abrigo, a maioria das vitimas estavam fora da escola, no acampamento de refugiados de Jabalya.
“É uma área de construções muito altas, assim era inteiramente inevitável que se os mísseis da artilharia caíssem nessa área fizesse um número elevado de vitimas“ disse um comunicado da ONU na cidade de Gaza.
Fontes palestinas disseram que 44 pessoas foram mortas no ataque.
As forças armadas Israel disseram que estão verificando o relatório. O governo de Israel barrou a CNN e outras equipes de jornalistas de entrar em Gaza.
Uma pouco antes, um outro míssel da artilharia caiu no interior da escola em Jabalya, mas Ging disse que a escola estava vazia naquele momento.
Este é o terceiro ataque de Israel que afeta uma escola da ONU dentro de Gaza. Três palestinos de uma mesma família foram mortos na noite de segunda-feira em Gaza, todos os membros de uma mesma família, mortos em uma escola elementar da ONU, disse a agência.
As escolas estão sendo usadas como abrigo pelos civis que fogem da operação militar. Os edifícios eram “claramente marcados” com bandeiras da ONU, e a agência disse que tinha dado às autoridades israelenses as coordenadas de onde ficavam todas as suas escolas.
A agência da ONU disse que 400 palestinos estavam dentro da escola elementar de Asma quando ocorreu o ataque aéreo da noite de segunda-feira.
Os incidentes começaram a ocorrer quando as forças terrestres de Israel começaram o cerco a uma área densamente povoada da cidade de Gaza, enquanto pelo menos 50 ataques aéreos martelavam a região durante a noite.
Outros ataques aéreos tem atingido casas da população ligada ao Hamas, grupo militante islâmico que governa Gaza, incluindo famílias do acampamento de Jabalya, disseram fontes da segurança do Hamas. Oito pessoas foram mortas num desses ataques. Um ataque aéreo atingiu a casa de Imad Sião um dos líderes da ala militar do Hamas em Jabalya.
Israel disse nesta terça-feira ter morto 130 combatentes do Hamas desde o começo de sua ofensiva por terra na madrugada de sábado. Um soldado Israelense foi morto na manhã de terça-feira ao norte da cidade de Gaza, disseram as forças armadas de Israel, aumentando para seis o número de militares israelenses que morreram em Gaza desde que Israel lançou sua incursão por terra.
Qual a diferença?
Fares Akram, jornalista palestino do jornal britânico "The Independent" num artigo em que conta como seu pai -- que não era um militante, mas um fazendeiro -- foi morto por um bombardeio israelense que abria caminho para o avanço das tropas por terra.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
CHAMADA PARA O BOICOTE ACADÊMICO E CULTURAL DE ISRAEL
Na negação de Israel a sua responsabilidade com o “Nakba” -- no detalhe, a tragédia da limpeza e dos deslocamentos étnicos que criaram o problema dos refugiados palestinos -- e conseqüentemente sua recusa em aceitar os direitos inalienáveis dos refugiados e deslocados, estipulados dentro, e na proteção da lei internacional;
Na ocupação e colonização militares do lado ocidental (Jerusalém do leste incluído) e de Gaza desde 1967, uma violação da lei internacional e das definições das Nações Unidas;
No enraizado poder de discriminação e de segregação racial contrário aos encontros dos cidadãos Palestinos em Israel, que se assemelha ao extinto sistema do “apartheid” da África do Sul;
Assim,
Considerando que as instituições acadêmicas Israelitas (na maior parte controladas pelo Estado) e a vasta maioria de intelectuais e dos acadêmicos de Israel contribuíram diretamente para manter, defender, ou de outra maneira justificar as medidas de opressão acima citados, ou então foram complacentes com elas com o seu silêncio;
Considerando que todas as atitudes que a comunidade internacional vêm tomado até agora não forçaram Israel a cumprir com a lei internacional ou a terminar sua repressão aos Palestinos, o que vem se manifestando de várias maneiras, inclusive o “siege”, na matança indiscriminada, na destruição arbitrária e no muro colonial racista;
Considerando o fato que os povos da na comunidade de intelectuais e “scholars” internacional sempre empunharam a responsabilidade moral de lutar contra as injustiças, como fizeram com seu esforço para abolição do apartheid na África do Sul através de diversas formas de boicote;
Considerando que o crescente movimento internacional de boicote a partir de Israel expressou a necessidade de uma unidade Palestina de referência que esboçe princípios guiando-se,
No espírito da solidariedade internacional, da consistência moral e da resistência as injustiças e a opressão,
Nós, acadêmicos e intelectuais palestinos, convidamos nossos colegas na comunidade internacional a boicotar detalhada e consistentemente toda manifestação acadêmica e cultural Israelita como uma contribuição contrária ao esforço de ocupação, colonização e ao sistema de Israel de extremo apartheid, da seguinte maneira:
1. Suspensão da participação em todas as formas de cooperação acadêmica e cultural, colaboração ou de projetos comuns com instituições Israelitas;
2. Aplicação de um boicote detalhado às instituições Israelitas nos níveis nacionais e internacionais, incluindo a suspensão de todas as formas de financiar e de subsidiar a estas instituições;
3. Promoção do desinvestimento e da desaplicação desde Israel para instituições acadêmicas internacionais;
4. Trabalhar para a condenação das políticas Israelitas pressionando para que as definições sejam adotadas por associações e por organizações acadêmicas, profissionais e culturais;
5. Suporte as instituições acadêmicas e culturais Palestinas diretamente sem requerer contrapartidas Israelitas como uma condição explícita ou implícita para tal sustentação."
Se a questão é política, porque não a nossa?



