quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Um debate sobre fato e opinião

O jornalista PHA, conhecido por alguns pela alcunha de "Paco" está processando o também jornalista Diogo Mainardi. Durante a audíência a que estiveram presentes outros seus colegas como testemunha travou-se um intenso debate. O site "Consultor Juríridico" publicou uma síntese do acontecido, uma verdeira aula de direito para aqueles que se interessam pelo jornalismo, em especial o jornalismo político. Eis a matéria:

Opinião e fato
Amorim acha que devia, mas Mainardi não vai para a cadeia
por Rodrigo Haidar

“Perdi! Não vou conseguir metê-lo na cadeia!” A frase foi dita pelo jornalista Paulo Henrique Amorim ao sair da sala de audiências da 1ª Vara Criminal do Fórum de Pinheiros, em São Paulo. Amorim, blogueiro do portal iG e animador de programas da TV Record, queria colocar na cadeia o colunista Diogo Mainardi, da revista Veja, porque este escreveu que ele, na fase descendente de sua carreira, foi contratado pelo portal iG por R$ 80 mil e se engajou pessoalmente “na batalha comercial do lulismo contra Daniel Dantas”.

Paulo Henrique Amorim e Diogo Mainardi compareceram nesta segunda-feira (17/12) ao Fórum de Pinheiros na primeira audiência do processo criminal que o primeiro move contra o segundo por injúria e difamação. A avaliação de Amorim sobre o possível desfecho da causa é calcada em seu próprio comportamento em Juízo. Na audiência, comandada pela juíza Aparecida Angélica Correia Nagao, Amorim rejeitou qualquer tentativa de acordo e se alterou em diversas ocasiões nos cerca de 30 minutos em que a juíza tentou, em vão, compor as partes.

No tribunal, os dois jornalistas interpretaram papéis trocados. Amorim tentou demonstrar que já não tem a credibilidade que teve um dia e que a culpa disso é de Mainardi, a seu ver, um dos jornalistas mais influentes do país. O colunista de Veja, por sua vez, tentou evidenciar que o prestígio do colega é o mesmo de sempre e que se projeta pelo seu salário: Amorim disse que ganha cinco vezes mais que o colega “em apenas uma das atividades”.

“A senhora confiaria em um jornalista que escreve a soldo? Em um jornalista filiado a um partido político? Ele escreveu que eu trabalho a soldo, por interesses comerciais”, repetia Paulo Henrique Amorim, demonstrando inconformismo com o texto de Mainardi. O jornalista insistiu na tese de que perdeu credibilidade em razão da coluna publicada em setembro de 2006 na Veja. “A senhora não deve acreditar no que eu escrevo porque eu sou um jornalista sem credibilidade. Não sei por que a senhora me ouve”, disse à juíza.

Separados por uma cadeira na qual estava sentada a advogada Maria Cecília Lima Pizzo, Amorim e Mainardi trocaram acusações, ofensas e filosofaram sobre o que é fato e o que é opinião. Como se estivessem em um talk-show, discorreram sobre as intenções de quem escreve uma notícia com o intuito de ofender pessoas ou simplesmente de narrar fatos — foi a batalha do animus injuriandi versus o animus narrandi. A discussão entre os dois, tendo como moderadora a juíza, durou quase meia hora, praticamente toda a primeira parte da audiência.

“Eu não o processo quando você me chama de caluniador e fascista em seu blog”, disse Mainardi a Amorim. “Ou a minha credibilidade não é atingida quando você escreve que eu sou fascista?”, questionou. “Mas isso é opinião, não matéria de fato”, respondeu Amorim. “Então, o que você diz é opinião e o que eu digo é fato? Ok, assino embaixo”, ironizou Mainardi.

A juíza perguntava a Amorim: “O senhor acredita que um artigo pode abalar sua credibilidade? Que o texto mudou a opinião que o público do senhor tem a seu respeito?”. Apaziguadora, a juíza indicava uma possível saída conciliatória. Sem sucesso.

“Este rapaz é best-seller. Quanto vendeu até agora seu livro?”, perguntou Amorim. “55 mil exemplares”, respondeu Mainardi. “Qual é a tiragem de Veja?”, insistia Amorim. “Mais de 1 milhão de exemplares”, respondeu Mainardi.

Para Amorim, o fato de a Veja imprimir 1 milhão de revistas, de o livro do colunista, Lula é Minha Anta, já ter vendido 55 mil exemplares e de o programa Manhatan Connection, no qual Mainardi é um dos debatedores, ter audiência “qualificada” demonstram o alcance do suposto ataque à sua honra. “Ele tem influência e disse a todos que eu escrevo a soldo”, afirmou. Para se vitimizar, Amorim fez a única coisa que não gostaria de fazer: reconheceu o sucesso do inimigo.

Mainardi também resolveu falar de soldo: “E ainda assim você ganha cinco vezes mais do que eu”. Amorim respondeu: “Mas aí é problema de incompetência”. O advogado Alexandre Fidalgo, um dos que representam o colunista de Veja, perguntou: “Acusação de incompetência é fato ou opinião?”. E a juíza, novamente, entrou para esfriar os ânimos.

Em diversos momentos da audiência, Paulo Henrique Amorim leu, para que todos ouvissem, trechos do artigo de Mainardi. Em uma dessas leituras, protestou: “Ele disse que eu sou amigo de Luiz Gushiken”. Mainardi retrucou: “Mas ser amigo do Gushiken é ofensa?”. Amorim respondeu: “A questão é que eu não sou amigo do Gushiken e no contexto em que está escrito é, sim, ofensivo”.

Depois da tentativa de conciliação, Amorim deixou a audiência porque iria viajar para os Estados Unidos, um país, segundo ele, “onde quem escreve isso vai para a cadeia”. Pediu desculpas à juíza pela atitude nervosa e as elevações de voz, e justificou: “Reagi dessa maneira porque nunca antes fui ofendido dessa maneira”. Mainardi foi gentil: “Obrigado, pelo espetáculo”.

O dinheiro e o estilo

Frustrada a tentativa de conciliação, apesar de todo o esforço da juíza Aparecida Angélica, começou a oitiva de testemunhas. Os advogados de Paulo Henrique Amorim, José Rubens Machado de Campos e Maria Cecília Lima Pizzo, convocaram os jornalistas Heródoto Barbeiro e Rubens Glasberg e o economista e professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo. A defesa de Mainardi, feita pelos advogados Alexandre Fidalgo e Lourival J. Santos, trouxe para depor o jornalista Reinaldo Azevedo.

Questionado, Heródoto Barbeiro afirmou que trabalhou por três anos na TV Cultura com Paulo Henrique Amorim e que o considera um profissional sério. Disse que os termos usados por Mainardi na coluna são subjetivos, mas que se há ou não ofensa cabe à Justiça dizer. Para Barbeiro, a liberdade de expressão existe e deve ser assegurada, “mas você responde pelo que diz ou escrever”.

A tese de defesa de Amorim centra-se no argumento de que não há interesse público capaz de justificar o texto de Mainardi. Para o advogado Machado de Campos, “o pretexto para as ofensas foi a suposta natureza pública do dinheiro. Mas os acionistas do iG são empresas privadas. Os fundos de pensão têm natureza privada”.

Já a defesa de Mainardi lembrou o fato de que parte do dinheiro dos fundos de pensão que controlam a Brasil Telecom, dona do iG, é, sim, público, já que se trata de fundos de pensão de empresas estatais.

Os advogados de ambas as partes também insistiram nas perguntas sobre a vontade do colunista de Veja de ofender ou não. Com maior ou menor ênfase, todas as testemunhas concordaram que a coluna em que Paulo Henrique Amorim é mencionado segue o estilo usual de escrever de Mainardi. Não houve tratamento diferente de outros personagens citados em outros textos. Logo, se não houve intenção de ofender, não há crime. Eis a tese central da defesa de Mainardi.

Em seu testemunho, o professor Belluzzo disse que se “sentiria ofendido” de ser citado da maneira como Amorim foi citado, que “não escreveria uma coluna” da mesma forma, mas ressaltou que se trata do estilo de Mainardi. “Exprime o modo dele de estar no mundo”, disse. O professor, recém-eleito presidente do conselho da TV Pública e fundador da Facamp — faculdade que aprovou quase 90% dos alunos no Exame de Ordem — disparou uma crítica geral à imprensa: “Jornalistas podem e devem expressar opinião, mas não podem atuar como juízes. Tenho dificuldade de aceitar esse juízo definitivo sobre as coisas, sem que haja respeito aos valores democráticos”.

O jornalista Reinaldo Azevedo, colunista e blogueiro da Veja, afirmou não notar diferença na coluna em que Amorim é citado, reforçou que o texto seguiu o padrão de Mainardi e criticou o que classificou como judicialização do debate. Para ele, as diferenças de pontos de vista não deveriam ocupar o tempo do Judiciário. “É publico que há identificação de pontos de vista de Paulo Henrique Amorim com o grupo que controla a Brasil Telecom, o que não é ilegal”, disse.

Azevedo ressaltou que o jornalista que dá opinião tem de saber lidar com a crítica. “Eu sou bastante criticado por minhas opiniões. A diferença é que eu não saio processando todo mundo”, afirmou. O jornalista chegou a fazer a análise semântica da expressão descendente em razão de Mainardi ter dito que Amorim está “na fase descendente” de sua carreira.

Para Reinaldo Azevedo, é fato, não ofensa, dizer que um jornalista que foi chefe da sucursal de Nova York da Rede Globo descendeu na carreira porque está hoje na Record — entendimento, por sinal, adotado pelo juiz de primeira instância ao rejeitar a ação de indenização que Amorim move contra Mainardi em razão da mesma coluna. “Sem dúvida o autor já foi jornalista da Rede Globo de Televisão, apresentando programas de elevadíssima audiência, de forma que a menção à ‘carreira descendente’ visa apenas identificá-lo como estando hoje em veículo de menor expressão do que aquele outrora”, escreveu o juiz Manoel Luiz Ribeiro, da 3ª Vara Cível de Pinheiros.

Para mostrar que ao menos a visibilidade de Amorim hoje é certamente menor do que antes, Reinaldo Azevedo lembrou que a Globo tem média de 23 pontos de audiência no Ibope, enquanto a emissora do Bispo Macedo tem menos de seis pontos.

O desfecho

A ação penal de Amorim contra Mainardi segue seu curso. No dia 17 de janeiro há a oitiva de uma testemunha de defesa no Rio de Janeiro. E foi marcada nova audiência para ouvir o jornalista Márcio Aith, da revista Veja, para o dia 20 de outubro. Depois disso, é aberto o prazo para as alegações finais das partes. Então, a juíza dá a sentença.

A defesa de Mainardi pode abrir mão do depoimento de Aith. Se isso acontecer, a sentença pode sair no ano que vem. Se aguardar pelo depoimento do jornalista, o caso terá uma decisão somente em 2009.

Na esfera cível, Paulo Henrique Amorim perdeu a ação que move contra Mainardi em primeira instância. O pedido de indenização por danos morais foi motivado pelo mesmo texto que deu causa ao processo criminal. O advogado José Rubens Machado de Campos informa que já entrou com Embargos de Declaração contra a sentença.

Leia a coluna de Mainardi, que motivou as ações

A Voz do PT

José Dirceu tem um blog. Quer saber quanto o iG gasta com ele? Eu também quero. Quer saber de quem é o dinheiro do iG? É seu, tonto! De quem mais poderia ser?

O iG pertence à Brasil Telecom. E a Brasil Telecom está na esfera dos fundos de pensão estatais. Eu já contei aqui na coluna como o lulismo tomou a Brasil Telecom de Daniel Dantas. Houve de tudo: financiamento ilegal de campanha, espionagem, chantagem, achaque e propina. Eu já contei também qual foi o papel de Lula na trama. Chega de me repetir. Quem quiser saber mais sobre o assunto, consulte o arquivo de VEJA. O que importa agora é como o iG está gastando seu dinheiro. E para onde ele está indo.

Luiz Gushiken é o ideólogo da propaganda lulista. Quando os fundos de pensão passaram a influir no iG, o portal se transformou na voz do PT. Caio Túlio Costa, aquele que Paulo Francis apelidou de "lagartixa pré-histórica", foi nomeado presidente do grupo em maio deste ano. De lá para cá, além de José Dirceu, foram contratados como comentaristas Franklin Martins, Paulo Henrique Amorim e Mino Carta. Todos eles na fase descendente de suas carreiras. Todos eles afinados com o DIP de Luiz Gushiken. Mais do que isso: Paulo Henrique Amorim e Mino Carta se engajaram pessoalmente na batalha comercial do lulismo contra Daniel Dantas. Quer saber quanto o iG paga a Franklin Martins? Entre 40 000 e 60.000 reais. Quer saber quanto ele paga pelo programa de Paulo Henrique Amorim? 80.000 reais.

O iG pode parecer pouca coisa. Mas é o terceiro maior portal do Brasil. Agora está pronto para difundir a propaganda do governo. O PT acaba de elaborar um documento em que pede uma "mudança nas leis para assegurar mais equilíbrio na cobertura da mídia eletrônica". Muita gente está alarmada com o documento. O temor é que, num segundo mandato, os lulistas atropelem as leis para tentar aumentar seu controle sobre a imprensa. O fato é que isso já aconteceu pelo menos uma vez neste mandato, quando a turma de Luiz Gushiken tomou de assalto o iG.

O documento do PT fala em oferecer "incentivos econômicos para jornais e revistas independentes". Independente, para o PT, é José Dirceu. É Franklin Martins. É Paulo Henrique Amorim. É Mino Carta. É o assessor de imprensa de Delcídio Amaral, que tem um blog político no iG. Só falta o Luis Nassif. Essa é a turma que, segundo o PT, precisa de incentivos econômicos do Estado. Carta Capital sempre atacou Daniel Dantas. Acaba de ser recompensada por um acordo com o iG. De quanto? Eu quero saber.

Lula cantarolou a seguinte marchinha, como relatam os repórteres Eduardo Scolese e Leonencio Nossa no livro Viagens com o Presidente:

"Ei, José Dirceu,

devolve o dinheiro aí,

o dinheiro não é seu"

Lula conhece muito bem José Dirceu. Se diz que o dinheiro não é dele, é porque não é mesmo. Devolve o dinheiro aí, José Dirceu.

Revista Consultor Jurídico, 18 de dezembro de 2007

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Ainda o fim da CPMF

Poucos conseguiram entender o significado político do fim da CPMF. Quando a questão ainda estava na Câmara dos Deputados falava-se que se o governo conseguisse aprovar a medida não precisaria mais do legislativo, pois teria dinheiro suficiente para continuar com seus planos de investimento, e chegar a 2010 com um conjunto de obras que dificilmente deixaria de dar uma vitória a qualquer candidato que Lula apoiasse. Na Câmara foi difícil a aprovação. Tomados pelo sentimento de que seriam deixados de lado assim que a CPMF fosse aprovada, deputados de toda a base aliada tentaram tirar do governo (e conseguiram) tudo aquilo que faltava para dar-lhes a cara de "aliados": cargos e recursos os mais infinitos. Célebre a manobra do Deputado Eduardo Cunha para tirar a nomeação de Luis Paulo Conde e Moreira Franco, ambos do PMDB para os cargos que haviam sido indicados há meses, e que o presidente insistia em cozinhar. Conde até a pouco era aliado do Garotinho e Moreira de FHC. Atendidos em suas pretensões deputados aprovaram a CPMF em grande maioria dando a prova ao governo de que estavam satisfeitos nos seus pleitos, indo para casa dormir tranqüilos. Nessa fase pouco se deu ouvido a oposição. Crescia o movimento contra a CPMF nas ruas, e o único a dar-lhes voz na Câmara era o Deputado Paulo Bornhausen, de Santa Catarina. Ai a coisa chegou ao senado. Com um PSDB disposto a aprovar a prorrogação com uma alíquota de 0,20%, e com a destinação de todos os recursos para a saúde a coisa parecia andar na direção da vitória pela aprovação. Poucos prestaram atenção a uma entrevista de FHC à Folha de São Paulo, em que ele dizia que no seu governo a CPMF já tinha sido aprovada uma vez em janeiro, depois de muita negociação. Era o mote para o governo, como se dissesse: "Na marra não vai". Lula, montado numa aprovação gigante, e ancorado na aprovação que tinha conseguido na Câmara só fazia bradar contra a oposição, tachando de sonegadores todos os que se diziam contra, esquecendo-se que o malfadado imposto atingia muito mais aos pobres, posto que não tem pra quem repassar, do que aos ricos. Até que veio o "dia D" da votação. Sabendo-se perdido, o governo tentou retomar a discussão apelando para os governadores Serra e Aécio para que pressionasse suas bancadas. Queria que demonstrassem força, e fizessem talvez o mesmo que ele fez com os Deputados: recursos e cargos de montão. Serra e Aécio, baseados na máxima conservadora nascidas nas hostes do governo "faço oposição ao governo e não ao país" bem que poderiam ter ficados calados. Achando que já tinham conseguido os votos para entregar ao governo saíram para o abraço e botaram a cara nas tevês com efusivas e vitoriosas declarações. Quebraram a cara! Perderam feio para uma bancada de senadores unida, que rejeito peremptoriamente a velha política do "café com leite". Com isso o imposto acabou. E com ele a empáfia e a arrogância de um governo que "se acha", pensando que o charme, a simpatia e a popularidade de Lula são eternos. Agora vai ser difícil governar na base do "arrastão" da fórmula "cargos + recursos". Qualquer projeto que for apresentado aos deputados vai exigir muito mais fôlego financeiro. E se Lula não cair na real, baixando a bola da sua ira, e não reconhecer que política se faz com quem realmente tem poder vai ficar difícil. Ou senta pra conversar com "partidos" (leia-se senado, que são as vozes coroadas de suas siglas) e abandona o varejo, ou... Babau!

sábado, 15 de dezembro de 2007

O blog apoia a greve de Dom Cappio

Livro de José Genoíno vence concurso

De Cláudia Lamego, em O Globo:

O livro "José Genoino - Escolhas políticas", sobre o deputado petista José Genoino - um dos investigados pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento direto no escândalo do mensalão como então presidente do PT -, ganhou o prêmio Sérgio Buarque de Holanda da Fundação Biblioteca Nacional na categoria ensaio social. A autora, Maria Francisca Pinheiro Coelho, professora de sociologia da Universidade de Brasília, que diz já ter sido filiada ao PT, conheceu Genoino no movimento estudantil e chegou a ser presa, com ele, no Congresso da UNE em Ibiúna. O prêmio, concedido também em outras sete categorias, é de R$ 12.500.
No júri que escolheu o livro havia pelo menos duas pessoas próximas a Maria Francisca: Maria Angélica Madeira, sua colega no departamento de sociologia da UnB, e Barbara Freitag, com quem editou em 1993 o livro "Marx morreu: Viva Marx!" (Papirus) e sobre quem co-organizou um livro, "Itinerários de Bárbara" (Editora Universidade de Brasília). A terceira jurada foi a historiadora Isabel Lustosa. Leia mais aqui

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A caixa preta cultural

Está pintado um novo escândalo! Dessa vez na Biblioteca Nacional girando em torno das premiações literárias. Quem sabe a coisa não avança e tenhamos aberta a caixa preta da área cultural que envolve patrocínios, premiações e "papers" encomendados a jornalistas e cientistas políticos alinhados com o governo. Seria a "CPI do GIL"?!...Vejamos.

"Perillo (não) traiu o PSDB, Lula e Goiás"

A manchete acima, com o nosso "não" está no blog do PACO Amorim. A seguir o que disse o Senador Marconi Perillo ao Blog do Noblat, e em seguida a matéria da manchete do Blog do PACO.

"Não traí ninguém, muito menos minha consciência. Não sou cordeiro de ninguém. Sou um democrata a favor do Brasil, e não de governos de plantão. Por essa razão é que aceitei dialogar e colaborar de maneira honesta. Não tendo sido possível a convergência, votei coerentemente com a posição de meu partido e com minha propria posição.
O encontro em Águas Lindas, solicitado insistentemente pelo governador José Arruda, de quem sou amigo fraterno, deu-se na residência de Arruda por sugestão do próprio governador e com a concordância do presidente Lula e minha. Não foi às escondidas: o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio, foi informado por mim do assunto.
O PSDB não foi traído. Não travei nenhum tipo de diálogo inconfessável. A conversa transcorreu em clima de respeito. Foi um diálogo construtivo, democrático e, de minha parte, norteado por elevado espírito público. Compometi-me a colaborar como interlocutor junto à bancada do PSDB em buca de um entendimento que resultasse em ganhos para a Saúde, para a desoneração tributária, para a redução dos gastos públicos, etc.
Fiz minha parte. Reuni-me, em seguida, em minha residência, com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o deputado e ex-ministro Antonio Palocci e os senadores Arthur Virgílio, Tasso Jereissati e Sérgio Guerra. Não foi possível o entendimento, por intransigência do governo, que queria votar imediatamente a prorrogação da CPMF.
Os senadores propunham que se extendesse para até janeiro o diálogo com o governo, em busca de uma solução que atendesse aos governadores, ao governo federal e à sociedade. Não aceitaram. A bancada do PSDB, então, diante da recusa, decidiu votar contra.
Não tratei de assuntos referentes a Goiás, até mesmo porque não tinha mandado para isso do governador de meu Estado. No plenário, votei e discursei como integrante da bancada de oposição. Não poderia ser diferente. Não faço parte da base do governo nem desejo fazer.
Passada a derrota, cabe ao governo dissipar seu rancor e mostrar-se mais disposto ao diálogo e pôr um ponto final nesta história de procurar culpados por sua derrota. O governo teve um ano para reunir sua base e aprovar a CPMF. Não pode agora cobrar que o PSDB resolvesse seu problema em dois dias.
Fizemos o que foi possível, democraticamente, pensando no Brasil. Que o governo aprenda a lição e deixe de buscar bodes expiatórios. E que esta derrota, exemplar, lhe seja pedagógica".


A matéria do Blog do PACO:

". A assessoria do senador Marconi Perillo, do PSDB de Goiás, confirmou ao Conversa Afiada a informação que está na página 10 do Globo de hoje: “Lula se reuniu às escondidas com senador tucano”.
. Preliminarmente: escondido de quem ? Da reportagem do Globo, que não soube onde estava o Presidente da República ?
. Mas, vamos ao que interessa.
. Segundo o Globo, Perillo propôs o encontro.
. Se alguém foi escondido, foi o Senador Perillo, que sugeriu que o encontro não fosse nem no Planalto nem no Alvorada, porque “pegava mal”, segundo o Globo.
. Perillo se ofereceu para ajudar a convencer senadores do PSDB.
. Naquele mesmo dia, à tarde, por iniciativa de Perillo, se reuniram senadores do PSDB (Tasso Jereissati, Sérgio Guerra, Arthur Virgilio Cardoso), em seu (de Perillo) apartamento em Brasília, para conversar com Antonio Palocci e o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, que falavam em nome do Governo.
. Ali ficou combinado que Lula apresentaria uma carta em que se comprometia a destinar 100% da CPMF à Saúde.
. Não deu certo e Perillo fez um dos discursos mais veementes contra a aprovação da CPMF (
clique aqui para ouvir o áudio).
. Por que Perillo fez o discurso ?
. Precisava ?
. Perillo traiu três vezes: o Presidente Lula.
. O PSDB, já que foi se encontrar às escondidas com o Presidente Lula.
. E o mais importante: o povo de Goiás, que pensa que ele é o que diz, mas ele é o que não diz. "

"Contribuintes comemoram fim da contribuição"

Por Elisangela Roxo, no Estadão:

Consumidores ouvidos pelo Estado aprovam o fim da CPMF. “Ainda bem que esse imposto acabou, porque tudo o que a gente paga não vai mais parar nos bolsos do governo”, afirmou o motociclista Arnaldo Gonçalves de Oliveira, de 41 anos. Para tentar fugir de pelo menos um tributo, a CPMF, ele escolheu ter apenas uma conta poupança, sem o cheque como opção. Agora, Oliveira acredita que os avanços da economia devem servir para cobrir a CPMF, mas reclama que os benefícios ainda não são sentidos pela população. “Dizem que o País vai bem, o PIB cresceu, mas a situação de quem trabalha na rua é muito ruim.” O camelô Epaminondas da Silva, de 42 anos, acha “muito bom” o fim da CPMF. “Pelo menos é um imposto a menos para o brasileiro pagar.” Ele disse duvidar que a destinação do imposto tenha sido mesmo o sistema de saúde. “No posto do meu bairro nem médico tem”, contou.“O fim do imposto do cheque? Achei maravilhoso”, disse o advogado e presidente do Partido Liberal Democrata, Álvaro Solon Coelho, de 79 anos. Para o monitor Luis Henrique da Silva, de 26 anos, “foi uma conquista do povo, os trabalhadores já pagam tributo demais”. A professora Sheila Rienzi, de 40 anos, acha que nem população nem governo ganharam ou perderam com o fim da CPMF. “O imposto foi criado para cobrir um déficit do governo, que agora deve tirar o dinheiro de outro setor para balancear as contas. Não acho que a criação realmente teve relação com reverter alguma coisa para a saúde”, avalia ela, ao lado do impostômetro da Rua Boa Vista, no centro de São Paulo, que mede o total de dinheiro pago pelos brasileiros na forma de impostos.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Uma economia e tanto

O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) realizou um estudo em que avaliou o quanto o brasileiro gasta em média com a CPMF, e o quanto economizará com a queda do tributo.

Taxista - 9 dias - R$ 241,65

Caminhoneiro - 9 dias - R$ 241,65

Funcionário de empresa privada - 3 dias - R$ 80,55

Funcionário público - 4 dias - R$ 107,40

Médico, dentista, fisioterapeuta, psicólogo e profissionais de saúde - 6 dias - R$ 161,10

Advogado, contador, administrador e profissionais de ciências humanas - 6 dias - R$ 161,10

Engenheiro, arquiteto e profissionais de ciências exatas - 5 dias - R$ 134,25

Cabeleireiros, manicures e serviços manuais - 4 dias - R$ 93,98

Serralheiros e mecânicos - 6 dias - R$ 161,10

Artistas e cantores - 6 dias - R$ 161,10

Vendedores autônomos - 7 dias - R$ 174,53

Cada brasileiro deixará de pagar R$ 190,00 em média, o que não deixa de ser uma boa economia para o bolso do trabalhador. Os "sonegadores" da economia informal tem o que comemorar. Além dessa economia, se os empresários repassarem, e o governo sossegar e não voltar a aumentar a carga tributária para compensar haverá uma queda de cerca de 1,7% no preço dos produtos. Fiquemos atentos... A luta continua!

Parece combinado

Engraçado... Já repararam que toda vez que o Lula vem ao Rio com espalhafato anunciar alguma obra pra inglês ver, logo em seguida sai uma pesquisa de opinião? Será que ele é avisado de onde a sua credibilidade anda em baixa e corre atrás pra ganhar uns pontinhos na popularidade? Quero ver se domingo ou semana que vem tem pesquisa avaliando o comportamento do povo com o resultado da queda da CPMF. Certamente o eleitor aprovou, e desaprovou o do governo que queria a qualquer custo administrar o veneno.

O FUNERAL DA CPMF E AS MENTIRAS EM TORNO DELA!

Do blog do prefeito do Rio, Cesar Maia:

1. O golpe final à CPMF veio quando o senador Jereissati leu -já no final- em plenário a carta do ministro da fazenda,desmentindo o que os representantes do governo diziam que era o conteúdo da proposta. Lula mentiu até o ultimo momento. Não eram 100% para a saúde, mas progressivamente até 2010. Mentiram deslavada e com firma reconhecida.
2. A proposta de 100% para a Saúde era uma farsa. Hoje o orçamento da União aplica esses 40 bilhões de reais em Saúde. O que os espertos do governo queriam era uma simples troca de fonte: de outros tributos para a CPMF sem mexer em nada.
3. Qualquer estudante de economia sabe que quando se reduz um tributo (escola da economia de oferta), os recursos vão para a sociedade. Esta gasta ou seja consome, investe, poupa, ou aplica estes recursos. Sobre este gasto incidem os tributos existentes -a renda, ao consumo, ao produto, ao serviço, às operações financeiras, etc... Provavelmente com uma velocidade de circulação maior que o uso anterior pelo governo. Portanto sobre o valor da CPMF transferido automaticamente, incidirá no mínimo a carga tributária atual de 37%. Ou seja: retornam ao governo -de forma segura- e por tributos muito mais justos- pelo menos uns 16 bilhões de reais. Pelo menos.
4. Espera-se que os bancos reduzam na margem a taxa de juros pois a carga tributária sobre a movimentação financeira diminuiu.
5. Espera-se que Lula tenha aprendido a lição e respeite o Congresso Nacional e a Oposição. Recebeu aulas de democracia e de economia, no episódio.
Ganhou o Brasil!

Os sonegadores somos nós

Foi a vitória das faxineiras, camelos, flanelinhas, manicures, vendedores de picolé, caldo de cana e milho cozido. Vitória dos sem carteira, dos sem trabalho formal, daqueles que vivem de bico fugindo da inanição. Dos catadores de papel, dos seguranças da madame, dos desvalidos de sempre que correm atrás de algum. Ou não seria por estes que a Regina Casé foi para a televisão fazer propaganda da Caixa? O olho gordo do governo, que depois de botar todo mundo que empreende na ilegalidade, fugindo da nota fiscal queria mais. E encontrou a resistência de quem não tinha mais para dar. Banqueiros não sofrem com ela, industriais e grandes comerciantes também, afinal para que existe o livre mercado com seus preços formados a base da mais valia. Os pobres coitados que não tem pra quem repassar a CPMF foram os grandes vencedores dessa batalha. Agora vão poder depositar o fruto do seu suor em qualquer agência bancária sem aquela dor no coração de que estão sendo garfados por alguém. Lula errou quando apontou os tubarões como adversários. Na realidade teria que pensar naqueles que só recebem o bolsa-família porque na outra ponta o governo está lhe tirando trabalho e cobrando o imposto mais cruel da vida de um cidadão. Maldita CPMF!

Suderj informa

Placar da votação da CPMF:

Votos a favor - 45
Votos contra - 34
Não votou - 1

Nem o São Paulo conseguiu tamanha façanha!

Nem tudo está perdido

FHC deu o caminho, quando se referiu ao fato de a CPMF, numa das renovações ter sido aprovada só em janeiro: agora é sentar com civilidade e respeito, e tentar uma solução para a hipotética perda de fundos da ordem de R$ 40 bilhões. Não é um bicho de sete cabeças uma derrota do governo numa democracia. O que não pode deixar de haver é respeito, respeito ao sentimento do povo, respeito a oposição. A CPMF é um imposto maldito desde a origem, embora de boa índole criado por um homem de caráter igual, o Dr. Adib Jatene. Chamar de sonegadores os que eram contra. Mentir dizendo que os pobres seriam os que mais perderiam, quando se sabe que pouco iria para a saúde e para os programas sociais não foi uma boa estratégia do Lula. Demonstrando arrogância e falta de altivez queria a qualquer custo demonstrar a sua força. Uma vitória política da oposição nesse momento é salutar para a democracia. Vai fazer o presidente repensar o seu projeto de um terceiro mandato (se é que é dele), e conversar com a oposição de maneira digna, na busca de uma saída para o problema. Uma reforma fiscal que trouxesse em seu bojo uma nova visão do imposto, sem o efeito cascata e a comulatividade que tinha seria benvinda. Vamos ver como se comporta o Lula depois da vitória do "no". Se xingar e berrar a la Chávez, chamando a derrota de vitória de "mierda" dos opositores não avançará. O país nesse bom momento que vive a economia espera maturidade da sua classe política, sem olho no voto do ano que vem, e sem mais poder para quem já detêm tanto.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Está brincando...

A proposta que repercutiu em todo o noticiário era de que o governo estaria disposto a repassar "todo" o dinheiro da CPMF para a saúde. Seria o retorno às origens, diziam alguns referindo-se a idéia original do Dr. Adib Janete. Serra e Aécio inflaram o balão que chegou as telas dos nóticiários das teves. Agora chega a notícia de uma tal "carta-compromisso" assinada pelo Ministro Guido Mantega e um outro. Sabe da boa? É só um aumento em parcelas anuais que não alcança quase nada do total. Tudo pra não dizer, em caso de derrota que não negociaram o tal aumento de recursos. E o repasse total da CPMF para a saúde? Era só um balão de ensaio para fazer os governadores do PSDB pressionarem os senadores. Tá brincando, né!

Ave, Imprensa!

O Globo on-line publicou o resultado da sua pesquisa sobre a CPMF.

CONTRA A CPMF - 77,60 %
A FAVOR DA CPMF - 22,40 %

E ninguém mais na internet até agora se manifestou...

Um banho de água fria

Lula está fazendo de tudo para jogar o PSDB na banheira da CPMF. Sabe que a derrota de um imposto tão impopular seria uma vitória para a oposição, e que se o PSDB ajudar a renovar, até não se sabe quando joga por terra toda e qualquer possibilidade deste partido se afirmar como oposição nas eleições do ano que vem. Senão porque estaria oferecendo tudo o que não ofereceu até agora? Lula não é burro! Nada de braçada numa aprovação nunca antes vista, e não poderia deixar difundir-se aqui o efeito "referendo" que alcançou o Chavez na Venezuela. A CPMF é o referendo do Lula. Se vence o "si", com a CPMF sendo prorrogada pode sair pro abraço de qualquer candidato a prefeito que vier a apoiar, com um banho de PAC em cima de qualquer adversário. Se vence o "no", com a CPMF sendo revogada teremos de volta a história da "roupa nova do rei", e quem sabe o equilíbrio de forças que permitirá a esse país demonstrar maturidade, encarar uma reforma política de verdade, dando adeus a corrupção política que, como diz o presidente "nunca antes" esteve tão presente na vida pública brasileira. O que a gente espera é que a oposição, principalmente o PSDB dê uma de gato e tenha medo de água fria deixando de lado o muro dos presidenciáveis Aécio e Serra, e caindo nos braços do povo para que esse país possa voltar a crescer de verdade.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A imprensa esqueceu de nóis!

Imagino a quantidade de dinheiro em publicidade que o LULA está gastando para fazer as edições on-line dos jornais não publicarem pesquisas de opinião sobre a CPMF. A "mídia golpista", como diriam os lulistas cada vez mais se entrega ao terceiro mandato e foge da opinião popular, ficando apenas com as questões de copa e cozinha, como se fosse verdade que a CPMF e coisa só de sonegadores e não atinge quem vive ralando pra ganhar a vida. Pobre imprensa!

domingo, 18 de novembro de 2007

Um Botequim Virtual

Longe da política e do caldeirão de vaidades de Brasília já existe um lugar ideal para se recorrer quando se trata de reunir os amigos em casa para uma discutir os destinos deste pais. É o site BUTIQUIM VIRTUAL do nosso "chef" e editorialista Biradi, o Byra Di Oliveira. Lá você vai encontrar um seleção de petiscos com sabor bem carioca, além de poder encomendar um bom chopp gelado. Para quem é do Rio de Janeiro vale a pena visitar o endereço www.butiquimvirtual.com e saber por que nem só de política vive o homem.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Sexo também é política...


Ela tirou a roupa... mas ele não caiu!