domingo, 23 de setembro de 2018

Constituição já é golpe!

A pouco conversava com vizinhos sobre Iguaba Grande, município vizinho que terá eleição para prefeito agora em outubro, já que a eleita foi destituída. 
Contavam eles que na realidade teremos mais do mesmo, ex secretários, o vice prefeito, gente envolvida na política local há muito tempo. 
Haveria um novo, mas sem nenhuma expressão política na cidade e sem apoio da população. 
Toda a campanha na cidade é feita toda na base da cooptação, troca de favores, coisas assim. 
Dizem eles, eleitores comuns que os cargos já estão todos loteados. 
E o que acontece em Iguaba não é diferente do que existe nos quase 5.000 municípios brasileiros.
Nosso pensamento elitista quando se fala em municípios, pensa quase sempre nos municípios médios e grandes, naqueles de população mais esclarecida e PIB maior, que são a minoria do nosso quadro eleitoral, embora possam representar muita gente. 
Mas porque toda essa reflexão? 
Veio a propósito de um movimento que se fazendo por uma Assembléia Constituinte, isso porque se esse Congresso que virá em 2019 não conseguir expressar mudança ou avanço na sua composição, nenhuma outra assembléia eleita conseguirá. 
Hoje com o poder dado ao Judiciário, Procuradores e PF, além da Imprensa, que vem se impondo acima do Congresso e do Legislativo, qualquer eleição que venha se tornará uma réplica do que vier a acontecer nessa, onde o pensamento do povo, expresso na polaridade entre o pensamento populista militar e o de esquerda, será sempre diferente do pensamento burguês da chamada classe média esclarecida. 
Para mim soluções de crises como as que, de vez em quando acontecem no Brasil devem ser imediatas, e essa conversa de Constituição agora é igual a enrolação que a presidente Dilma propôs na crise de 2013. 
Antes de propor uma Assembleia Nacional Constituinte temos que ver o que vem por ai com o novo Congresso, qual a conjugação de forças que irá se estabelecer. 
Se quem assumir não conseguir construir uma base de poder sólida para governar, pensemos numa outra solução. 
Em 2013 tínhamos dois caminhos, a revolução ou uma nova Constituição, com eleições livres em 2014. 
Mas não deu, venceram as forças do atraso, com toda a capacidade de acochambração que os poderosos tem. 
E nessa quesito me ponho ao lado do povo, e povo não sonha, come! 
O governo Temer acenou com um caminho, uma pinguela que tínhamos de atravessar com sacrifícios, e que quase conseguiu. 
E o que acontece? Foi vencido por uma pauta moral que causou enorme prejuízo ao país e aos brasileiros, mil vezes maior que a corrupção que se punha a investigar. 
De sobra conseguiram transformar o partido do residente e seu governo no vilão da história, transformando em vencedores e vítimas os verdadeiros culpados. 
Esse é o Brasil dos que clamam por uma nova Constituição antes do fim do pleito, onde os interesses e privilégios estão acima de qualquer outro interesse.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

A entrevista do corrupto condenado José Dirceu

Impossível não se emocionar ao ver a luta de alguém pela liberdade, seja ele um assassino sanguinário, seja um preso político ou econômico. 
Quem viveu o Brasil e suas lutas de afirmação democrática sabe da importância de José Dirceu nesse contexto. 
Lendo a entrevista dele ao jornal Folha de São Paulo hoje (leia aqui), introspectiva, humana, sincera vemos como a cadeia, enquanto elemento de transformação é importante. 
Aquele que reconhece que aquela situação é real, e a encara no seu dia a dia com a resiliência de quem está preso se transforma. 
Todo este ódio espalhado pelo país nada tem a ver com política, é burrice mesmo, gente que não leu e nunca se comprazeu pelo destino de alguém, gente egoísta que nunca teve um ideal coletivo.
Sem entrar no mérito daquilo que se acertou sobre ele como crime, José Dirceu merece o respeito, que se deve ter a todo ser humano.
Fico impressionado com a falta de educação daqueles que certamente irão denegrir sua entrevista e sua entrevistadora, mas me impressiona mais a história contada ali, um pouco da natureza de pessoas poderosas que no fundo não passam de gente como a gente, frágeis mortais. 
Afinal, esse é o objetivo da cadeia, reduzir a empáfia, trazer a reflexão e renovar o homem.

Tá tocando o terror com a fala da Gleisi Hoffman

Essa história com a senadora "Cala a Boca Gleisi", é pura maldade e desinformação, embora não se possa esquecer que não existe democracia no OM, todos são ditaduras, inclusive o Qatar, sede da emissora. 
Alguns sob a capa de monarquias, outros de parlamentarismo, mas ditaduras. 
Por coincidência, como cita a senadora no vídeo, em sua viagens internacionais Lula visitou estes países, incluindo ditaduras africanas sanguinárias. 
A All-Jaazera é tida por muitos desses países como colaboradora do terror, por manter correspondentes junto a estes grupos. 
Alguns, como os que atuam na Síria são financiados por países árabes, como a Arábia Saudita e o próprio Qatar. 
Talvez seja por isso a analogia de alguns, dada a ligação de Lula com regimes ditatoriais.

Niterói, a cidade onde a esquerda voa de costas

Niterói é a cidade mais a esquerda do Brasil, e lá, entre os dessa corrente ideológica a porrada está comendo solta por causa do Lula, todos querendo tirar uma casquinha de olho na eleição. 
Vivemos tempos difíceis, em que o ódio se sobrepõe a razão. 
Temos um canal de televisão associado a um judiciário a procura de aplausos, amparado pelo PPOL (partido da polícia) e pelo PPR (partido dos procuradores) que faz das redes sociais um ambiente propício a ignorância da razão. 
Lembro dos tempos do mensalão em que não havia Facebook, Twitter, em que a gente comentava em blogs de direita ou esquerda usando apenas o pensamento. 
Cansei de comentar em blogs  do Dirceu, Nassif, PHA, RA, e até do Roberto Jefferson, até que um dia comecei a sentir que os ventos estavam mudando, e resolvi criar meu próprio blog. 
A partir dali a sensatez me tomou, e antes de deixar as enzimas do estômago me intoxicarem, penso, reflito e escrevo aquela que creio ser a minha verdade, porque hoje, se a opinião não vier carregada de ódio e rancor, não presta. 
Faço essa observação por estar assistindo a série/documentário da Netflix sobre o sonho daquele guru, o Osho. 
Temo que estejamos indo na mesma direção, numa espécie de "guerra civil", como aquela que declarou o presidente da França, Emanuel Macron estar em curso na Europa. 
E para terminar, quanto ao Lula, vivia num mundo de gente do povo, e ao alcançar o poder se meteu num outro, e por mais que alguém como o Chico Buarque avisasse, "isso vai dar merda!", ele continuou, e acabou se lambuzando no modo de vida da pequena burguesia brasileira envolvida com política, com seus hábitos e prazeres conduzidos por muito dinheiro público. 
Mas vamos combinar, foi condenado sem provas, considerando-se aquele tipo de prova que até ontem estávamos acostumados.

sábado, 24 de junho de 2017

Fora Temer! Fora Temer!

Fora Temer! Fora Temer! Fora Temer!
Ufa, também cansei! Cansei de ser minoria, quero ter likes, shares, quero poder botar qualquer idionssicrasia na minha página, qualquer bobagem, qualquer pensamento fútil, repleto de mediocridade, aumentar o trending das minhas publicações.
Fora Temer! Que bom poder ser irresponsável, incendiário de esquerda, amante das ditaduras bolivarianas, do peleguismo, do populismo inútil.
Fora Temer! Quero poder defender os interesses da minha corporação, sejam quais forem, desde que a mídia reproduza minha insatisfação, e tragam endividamento público, aumento dos juros, recessão e inflação, pondo na rua mais gente para engrossar a massa de manobra do nosso "Fora Temer!".
Fora Temer! Quero poder ver os craqueados nas calçadas, cagados, mijados, fedidos, e ficar cheio de vontade de levar para casa, dividindo o quarto com meus netos.
Ufa! Que sentimento bom é esse de ser maioria, de pensar como artistas, celebridades, articulistas da Imprensa cheios de fama e de dinheiro.
Fora Temer! Agora vou poder assistir o JN, o JG, os debates da GloboNews, e ler os editoriais do Grupo Globo sem me irritar, sem passar mal e com vontade de vomitar, compartilhar a agitação lavajadista de Diogo Mainardi e seu bando do facesite OAntagonista, sem ser visto como inimigo.
Obrigado Datafolha, obrigado Brasil, obrigado indignados e frustrados da internet! Peço perdão por achar todos vocês uns ignorantes, uns boçais, e por não ter curtido nada do que postaram, enquanto eu, o bam bam bam desse lugar ficava falando em conspiração Janot/Fachin/Globo, na ditadura da prima Carmen, do Judiciário submetido a sanha dos procuradores, pegando no pé da grife Lava Jato, chamando o juiz Moro de cagão por não ter prendido o Lula antes que ele ficasse forte e sonhasse em voltar..
Agora estou do lado de vocês! Podem me chamar para qualquer passeata, qualquer manifestação, qualquer greve geral que estarei a postos, empunhando minha plaquinha escrita a mão: "FORA TEMER!"

sábado, 10 de junho de 2017

Somos todos uns boçais

Fico meio chateado por esse sentimento generalizado de frustração que alcançou pessoas amigas. Também me senti assim quando o projeto das diretas naufragou, durante a ditadura.
Foi uma luta dura, apenas com o Jornal do Brasil trabalhando ao lado do projeto, todo construído por grandes nomes da política e desenvolvido com o apoio das ruas.
A morte do Tancredo também trouxe frustração a muitos, a mim nada, era meio que um Temer que surgiu no vácuo de uma situação.
Na queda do Collor também me chateei, não por ele, mas por minhas filhas adolescentes que se envolveram nas manifestações, pintaram o rosto de verde e amarelo, e mais tarde tiveram que amargar sua frustração naquele abraço do Lindberg com o Collor, e na aliança dele com o Luís Inácio.
Mas amarguei outras dores, outros sentimentos de  frustração, não por nada daqui, mas por lá fora, vendo uma invasão americana ao Iraque, baseada numa mentira, levando a morte de milhões sem nada resolver ou trazer a paz. Com o genocídio praticado por Israel contra os palestinos, e também com a cínica situação criada pela Sra. Hillary Clinton, que nos levou a um terror e a uma mortandade pior que a ditadura dos Assad.
O mundo agora, mais que antigamente, vive sob a ditadura da Imprensa, e é ela quem conduz nossos sentimentos mais comezinhos de indignação e ódio político.
Até bem pouco a Imprensa nacional estava a caminho do traço, sendo tragada pelo crescimento da internet, que com seus blogs informativos dava a muitos a possibilidade de fazer notícia, deixando para trás a informação tradicional, via jornal e revista impresso, enquanto que no mundo jornais eram vendidos aos borbotões.
Mas sorrateiramente ela, a Imprensa se apossou do conteúdo virtual, foram acertando o passo, seguindo em frente na direção de conquistar as nossas almas. Como bestas caímos na armadilha de produzir conteúdos gratuitos para eles, traídos por nossas emoções mais banais, no afã de querer ter voz e participar do processo político.
Nesta crise eles acertaram a mão de vez e conseguiram atingir em cheio o coração das pessoas, numa incrível conjugação de internet com televisão. Não foi um movimento de fora, mas produzido dentro de um grande jornal.
O estopim da crise se deu na internet, mas como um rastilho de pólvora se espalhou pela televisão, através da ampla janela dos noticiários globais.
Os grandes players da mídia resistiram bravamente nos três primeiros dias àquela gravação, que qualquer editor sério teria jogado no lixo vindo das mãos de um estagiário.
Como o jornalismo de hoje não é feito mais por grandes editores, como os de antigamente, mas por jornalistas âncoras que conquistaram prestígio e credibilidade, independentemente do nome do jornal que os abriga como PJ, pouco importa o mal que podem causar. Seus passes comprados a peso de ouro, dão a eles o direito as manchetes, já que editam livremente seus conteúdos, São como corretores de imóvel que detêm uma rede de porteiros, pronto para lhes dar a preciosa informação que precisam para ganhar milhões com um bom apartamento.
Na minha visão o que aconteceu hoje nada mais foi que a vitória de um poder, o judiciário, sobre um outro poder, a Imprensa. Nada dessa coisa de santos contra demônios, de honestos contra safados, de políticos bons e ruins, mas sim o prosseguimento de uma batalha, dos podres poderes de uma nação construída em cima da hipocrisia daqueles que se beneficiaram das mesmas coisas que criticam, do mesmo compadrio, da mesma corrupção, para ganhar dinheiro em cima da frustração alheia e adquirir mais poder.
E como diria Caetano, somos todos uns bestas, uns boçais que caímos nessa esparrela de um novo modelo de poder.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

O pau-de-arara digital

"Tem que delatar!", esta é a palavra de ordem na imprensa brasileira.
Aliás, as delações levaram a política aos papos dos cafezinhos, dos corredores e das salas de espera dos consultórios.
Outro dia puxei papo com o pipoqueiro da rodoviária e fiquei surpreso com seu nível de informação.
Fora os simplesmente indignados, já é possível encontrar pelo caminho gente com bom nível de reflexão e pensamento.
Se isso vai pesar na hora do voto, só o tempo dirá.
Por enquanto de uma coisa a gente sabe, nunca a política ajudou como agora a Imprensa brasileira, com cliques milionários nos sites, nas redes e nas bancas com vendas astronômicas.
Por isso a palavra de ordem da delação, do dedodurismo e do seu irmão gêmeo, o vazamento, tem animado o noticiário.
E não adianta falar em maucaratismo dos delatores, ou da falta de ética de jornalistas, polícia e procuradores, em seu espúrio acordo moral, do outro lado existe uma turba ensandecida, pronta para consumir qualquer papel de bala manchado de batom, que tenha as digitais da vítima da vez, e que reluza na tela do JN.
Já não se fazem mais torturadores como os de antigamente, pois o pau-de-arara da internet funciona melhor.

terça-feira, 23 de maio de 2017

O fracasso do golpe da Globo contra o Temer

Como acontecem os golpes?
É da natureza dos golpes serem rápidos, pois o tempo joga contra os golpistas.
Recentemente tivemos toda uma gritaria de houve um "golpe" contra a presidenta cassada. Mera apelação, o tempo que levou entre a chamada "conspiração" e sua queda foi longo, e alí de golpe não teve nada, no máximo uma tomada de poder pela via constitucional, o que por si só não caracterizaria um golpe.
O bolivarismo venezuelano está no poder graças a um golpe tentando lá trás pela oposição, mas que não deu certo. Chaves chegou a ser preso por poucos dias e retornou glorioso. De lá para cá a oposição se enchafurdou numa crise que tenta sair pela via constitucional e não consegue.
No Brasil tivemos o golpe militar, que por mais que tentem os apoiadores classificar como uma "revolução" foi um golpe de estado.
Um dos países latino americanos campeão em golpes é a Bolívia. Lá os grupos militares sempre manipularam a política através das chamadas "quarteladas".
Aliás, o continente americano é mestre em golpes, da América Central ao Sul. Muitos já morreram, outros enriqueceram, e a maioria que caiu, voltou.
Temer tem contra si a baixa popularidade e uma oposição que o classifica como "golpista" o tempo todo, mas o que aconteceu contra ele, no sentido clássico, foi uma tentativa de golpe.
Não foi a toa que a primeira coisa que fez foi convocar os ministros militares para saber do seu comprometimento com a democracia. 
Os atores que tentaram a trama, uns por interesse financeiro, outros corporativos, e o terceiro, a Rede Globo, por simples manutenção de poder até o momento não foram felizes no intento. Não houve uma manifestação militar si quer, o judiciário segue firme na manutenção das instituições, e os políticos, pegos de surpresa, ressabiados com o intento se recolheram ao silêncio.
Temer não renunciou como queriam os autores do golpe, e o exército com o qual contavam para manutenção da estratégia, a internet e o restante da Imprensa se pôs a pensar e a investigar as razões para a pressa na solução.
Graças a seu açodamento e erros, os golpistas deram com os burros n'água, e o golpe fracassou!

A crise do jornalismo nas crises

O jornalismo é uma profissão importante para a democracia, deve ser conduzido com seriedade, sem comprometimento com grupos, políticos ou econômicos.
A crise que estamos vivendo, além de ser uma crise moral e política, é também uma crise do jornalismo.
O presidente americano, recentemente, chamou a imprensa de seu país de "desonesta", por estar atuando de maneira preconceituosa em relação a ele.
Nessa crise, o papel do Sistema Globo de Informações está exercendo uma função que vai no sentido contrário a do bom jornalismo. 
Ao invés de checar as informações recolhidas pelo jornalista Lauro Jardim de uma fonte em off, o Grupo Globo tratou de replicá-la rapidamente em suas mídias televisivas em plantões de urgência, tomando seus termos como totalmente verdadeiros, e sem nenhuma falha que necessitasse chegar ou corrigir.
O que aconteceu foi que essa postura com a notícia, que continha falhas graves, além de causar um enorme prejuízo financeiro ao país, levou a paralisação de reformas que dariam aval a investimentos importantes em diversas áreas.
E o que temos agora na sequência dos dias que se seguiram a informação é sui generis. Enquanto a maioria dos órgãos de imprensa se põe a averiguar e investigar a denuncia, seus motivos e personagens, o Grupo Globo sai em campo para desmentir e ridicularizar as matérias investigativas de colegas da própria Imprensa, as quais põe em dúvida as informações das suas reportagens, e a reforçar as teses dos investigadores, agindo não como um veículo de informação fazendo o bom jornalismo investigativo, mas como divulgador de todas as teses da acusação contidas na construção de seu pedido inicial ao STF, reforçando assim como partícipes a visão dos promotores, sem por em dúvida os interesses corporativos que possam estar por trás da investigação, e erros na condução do processo, e sem levar em conta na mesma intensidade a versão dos acusados, como está fazendo a maioria dos outros jornais, sites e revistas.
Para mim, isso é desonestidade. Em nome do combate a corrupção, tentam assegurar para si a audiência e concordância da grande parcela da sociedade que, indignada clama por mudança na política nacional, sem prejuízo da verdade dos fatos.

domingo, 21 de maio de 2017

A conspiração do PT com a Globo

O governo fala que está sendo vítima de uma "conspiração". Mas que "conspiração" é essa, e como ela se deu?
Deixemos as firulas técnicas e jurídicas de lado, e vamos aos fatos:
(1) O procurador Rodrigo Janot foi indicado para o cargo por Dilma Roussef. Desconfiada, a oposição se interpôs a nomeação, e esta só foi consumada com o beneplácito do PMDB de Renan Calheiros. Durante todo o episódio da queda de Eduardo Cunha, sua maior reclamação era por que ele havia de ser o alvo da PGR, já que Renan Calheiros acumulava quase uma dezena de inquéritos e ainda não tinha virado réu;
(2) No cargo, Rodrigo Janot mesclou um time de assessores, com procuradores petistas em sua maioria, e os da casa, que conquistaram posições sem necessidade de coloração política. Os procuradores petistas eram alinhados ao ex ministro da Justiça de Dilma, Eugênio Aragão. Janot nunca se contrapôs a ação dos dois grupos, que vazam depoimentos nunca investigados, ficando assim de bem com ambos os lados;
(3) No tempo, a PGR se concentrou quase toda no PMDB adversário de Renan, e tida pelos petistas como aquele time que conspirava contra Dilma, todos ligados de alguma forma ao presidente Temer. Sua postura durante o impeachment, uma hora pendia para um lado, outra hora para outro, já que a opinião pública nas ruas tinha o apoio da grande imprensa;
(4) Um outro elemento da trama é o ministro do STF, Edson Fachin, nomeado por Dilma em troca da sua declaração de voto a favor da candidata em 2014. Entrou na trama sem ter autonomia para ocaso, pois é corregedor da Operação Lava Jato, que não tem nada a ver com esse caso da JBS, ou seja, extrapolou suas funções;
(5) O terceiro elemento da trama é o grupo Globo, não por ideologia, partidarismo ou lá o que valha, mas por interesse comercial. A Globo nunca engoliu a extinção do Ministério da Cultura por Temer, um braço comercial importante no faturamento do grupo, e nem posteriormente a faxina na instituição levada a cabo pelo ministro Roberto Freire;
(6) E assim foi dado início ao ataque que encurralaria o governo Temer;
(7) Joesley Batista busca Eugênio Aragão, um dos comandantes da grita contra o governo "golpista" de Temer, que lhe oferece o apoio de um dos procuradores da equipe de Janot,
(8) Este se demite da equipe da procuradoria na Lava Jato, e no dia seguinte já está a postos a serviço da estratégia da gravação da fita que abalaria a política nacional;
(9) Com todos os elementos principais na mão, a gravação com Temer, a conversa com Aécio e o flagrante do dinheiro ao deputado Loures, Janot "oficializa" a delação, e faz o ministro Fachin autorizar o inquérito contra Temer;
(10) Faltava o apoio da "opinião pública". Este é conseguido pela amizade do petista Eugênio Aragão com o jornalista Lauro Jardim, que divulga de maneira totalmente truncada o conteúdo das gravações, e com a anuência dos seus patrões da Globo;
(11) Só que logo no dia seguinte a notícia, por pressão da presidência da República, e dos demais setores da imprensa, o ministro Fachin libera o áudio da gravação, e a conspiração começa a ser entendida. Jornalistas questionam a postura do colega, perícias levam a constatação de fraudes, e o presidente parte para o ataque;
(12) A essa altura, já envolvida até a última raiz do cabelo, e vendo ameaçados seus interesses de, numa eminente renúncia do Temer em que pudesse influir na escolha do candidato eleito numa eleição indireta, o grupo Globo sobe o tom, publica um editorial pedindo a renúncia, e faz a trágica edição do JN de ontem, em que deixa patente sua participação na trama, assim como fez no passado no famoso debate Lula/Collor, até hoje lembrado por muitos.
Hoje temos uma guerra entre os dois lados, aqueles que correm atrás de provar a conspiração, mas não a assume, e do outro, a PGR, o grupo Globo e o ministro Fachin.
Se dará certo ou não, só o tempo dirá.

Acabou!

O que dizer? Muitas perguntas ficarão sem resposta, muitas expectativas deverão se calar. 
O Brasil vive suas tragédias as vezes em bons, as vezes em maus momentos.
O suicídio de Getúlio, a queda de Jango, o fim do poder militar, a morte de Tancredo, a queda do Collor, o impeachment da Dilma, e agora essa próxima queda do Temer.
Por trás de todas elas, quase sempre, o mesmo mote moral, a mesma conturbação, que nada mais um rearranjo de forças, onde a indignação ou a tristeza do povo só entra para moldar a cena.
São interesses econômicos que rapidamente mudam de lado para continuar tendo voz, e nos últimos tempos a grande voz desses interesses tem sido as Organizações Globo.
Na queda do Collor o interesse deste em montar um grande grupo de mídia para fazer concorrência a Rede Globo foi a senha.
Arrisco dizer que na queda do Temer a senha foi dada quando Roberto Freire assumiu o Ministério da Cultura.
Mas quem sou eu para arriscar tamanha ousadia dessa previsão, mas que algum interesse foi ferido, foi!
Depois desse pedido de impeachment da OAB quem será capaz de enfrentar o noticiário da Globo em seu JN?
Daqui para adiante, ou vivemos o drama da renúncia, ou o drama da impeachment, e as reformas econômicas que iam bem, ficarão adiadas. E sem essas reformas, que restará ao Temer? Perder seu foro privilegiado e se arriscar a um pedido de prisão pela PGR?
Creio que não renunciará, e seu governo acabado viverá o tempo que viveu a Dilma, até seu juízo final.